06 dezembro 2017

[Resenha] As sete irmãs - Por Lucinda Riley



Título: As sete irmãs
[As sete irmãs #1]
Autor(a): Lucinda Riley
Páginas: 480
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Em As sete irmãs, Lucinda Riley inicia uma saga familiar de fôlego, que levará os leitores a diversos recantos e épocas e a viver amores impossíveis, sonhos grandiosos e surpresas emocionantes.
Filha mais velha do enigmático Pa Salt, Maia D’Aplièse sempre levou uma vida calma e confortável na isolada casa da família às margens do lago Léman, na Suíça. Ao receber a notícia de que seu pai – que adotou Maia e suas cinco irmãs em recantos distantes do mundo – morreu, ela vê seu universo de segurança desaparecer.
Antes de partir, no entanto, Pa Salt deixou para as seis filhas dicas sobre o passado de cada uma. Abalada pela morte do pai e pelo reaparecimento súbito de um antigo namorado, Maia decide seguir as pistas de sua verdadeira origem – uma carta, coordenadas geográficas e um ladrilho de pedra-sabão –, que a fazem viajar para o Rio de Janeiro.
Lá ela se envolve com a atmosfera sensual da cidade e descobre que sua vida está ligada a uma comovente e trágica história de amor que teve como cenário a Paris da belle époque e a construção do Cristo Redentor.

Baseada na mitologia das Sete Irmãs das Plêiades, a famosa constelação no cinturão de Órion, a série As Sete Irmãs traz, em seu primeiro livro, a história de Maia, a mais velha de uma família de seis irmãs adotivas. Acostumada a controlar seus próprios sentimentos e ser sempre uma fonte de equilíbrio para as mais jovens, Maia vê seu mundo ruir quando, durante uma viagem à casa de uma amiga, é informada pela guardiã e mulher que cuidara dela e de suas irmãs, Marina, que seu pai, o homem que a trouxera para casa quando era apenas um bebê e jamais lhe deixara faltar amor e conforto, e a quem chamava carinhosamente de Pa Salt, está morto.

"Quando era mais jovem, ele me levava ao seu observatório coberto por um domo de vidro no topo da casa, me levantava com suas mãos fortes e grandes e me deixava olhar para o céu noturno através do seu telescópio.
— Lá estão elas — ele dizia enquanto alinhava as lentes. — Olhe, Maia, veja a bela estrela brilhante que te deu seu nome.
E eu olhava. Enquanto ele explicava as lendas que eram a fonte do meu nome e do nome das minhas irmãs, eu não prestava muita atenção, mas simplesmente apreciava seus braços apertados ao meu redor, levemente ciente daquele momento raro em que o tinha apenas para mim."

Além de umas às outras, a casa onde viveram a vida toda e a qual muito lembrava um reino particular de Pa Salt e as filhas, tamanha era a distância que a separava de uma vizinhança e tão grande era seu espaço e encantamento, a herança mais valiosa deixada pelo falecido às meninas fora a carta que cada uma delas recebera, juntamente com a história de suas origens e, ainda mais importante, as coordenadas certas para resgatá-las, caso assim desejassem.

"Duas horas depois, com o voo e o hotel reservados e uma mala arrumada às pressas, deixei Atlantis. Enquanto a lancha me carregava tranquilamente pelas águas do Léman, percebi que não sabia se estava fugindo do meu passado ou correndo em direção a ele."

Na tentativa de fuga do luto e de um antigo amor que lhe deixara cicatrizes mais profundas do que se pode imaginar, Maia embarca para o Brasil, seguindo as coordenadas de seu pai, em busca de um passado o qual há muito ela julgara enterrado... mas que, na verdade, guarda uma porção de segredos e emoções. Nesta jornada, além de ganhar um tour pelo Rio de Janeiro com seus tantos costumes e cenários, ela contará com a ajuda de Floriano, um escritor carioca que lhe ofertará uma amizade muito bem-vinda e, quem sabe, algo mais.

"Como todas as outras pessoas que eu conhecia, ele tinha sua própria vida. “Bem”, pensei ao levar a taça de vinho aos lábios, “talvez seja hora de encontrar a minha".”

Entre as descobertas de Maia e sua volta ao passado está escondida uma história de garra e amor, protagonizada por sua bisavó, Izabela, cuja vida importa muito para que sua bisneta compreenda melhor a sua própria. As Sete Irmãs é dividido em 51 capítulos, sendo eles narrativas das histórias de Mmaia e Izabela, em primeira e terceira pessoa, respectivamente.






As Sete Irmãs foi aquele tipo de livro que eu já abri coberta de expectativas, graças às tantas recomendações que já me haviam feito por aí. E devo dizer que, sinto muito, expectativas, mas esse livro superou todas vocês.

Me vi tão apaixonada e envolvida pela história do início ao fim que chega ser difícil pontuar o que mais gostei: as descrições de cenários extremamente bem detalhadas, tanto do exterior quanto do nosso próprio país; me senti quase como se estivesse no Rio! O jeito leve e comovente com que a história é contada; a maneira sutil como ambos, o passado de Izabela e o presente de Maia, se interligam; a doçura presente nos romances; as abordagens históricas; as personagens construídas de forma natural e cativante.

Confesso que, tanto com Maia quanto com Izabela, minha primeira impressão foi de que eu não me apegaria à nenhuma delas. Porém, quase que imediatamente e sem que eu soubesse o porquê, ambas ganharam meu coração. Maia faz o tipo fortona, aquela que costuma ser o porto seguro para todos e acha que precisa sempre ser assim. Passa a imagem de alguém um tanto racional demais, pelo menos de início, mas logo sua vulnerabilidade fica evidente e nos causa aquele sentimento de "vem cá, deixa eu segurar sua mão", logo nos encantamos por seu instinto um tanto protetor com as pessoas à sua volta. Contudo, Izabela foi minha favorita. Repleta de meiguice, força e vitalidade, cheia de sonhos, mas capaz de abrir mão de todos eles pelas pessoas que ama. Dona de um coração enorme e uma luz maior ainda, que nada tem a ver com a aparência estonteante por quem todos se apaixonam. Não enxerguei grandes semelhanças de personalidade entre as duas, a não ser, talvez, a determinação, o que para mim não foi problema em nenhum momento. O contraste das protagonistas e os conflitos que entrelaçam suas histórias é instigante e só nos faz querer ler mais e mais. Quanto a pontos negativos, não encontrei a serem destacados.

As Sete Irmãs foi um livro que me fez rir, chorar, torcer e vibrar a cada página. Um enredo sobre família, escolhas, amores que dão errado e, às vezes, amores que dão certo. Eu recomendo para qualquer um que curta um bom romance regado à barreiras, toques de mistério e, claro, todos que tenham interesse em conhecer um pouquinho mais da história social do nosso país.

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