14 novembro 2017

[Resenha] A Grande Ilusão - Por Harlan Coben



Título: A Grande Ilusão
Autor (a): Harlan Coben
Páginas: 304
Editora: Arqueiro
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Compre: Amazon || Submarino

Sinopse: Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que voltou recentemente da guerra. Um dia, ela vê uma imagem impensável capturada pela câmera escondida em sua casa: a filha de 2 anos brincando com Joe, seu falecido marido, brutalmente assassinado duas semanas antes.
Tentando manter a sanidade, Maya começa a investigar, mas todas as descobertas só levantam mais dúvidas.
Conforme os dias passam, ela percebe que não sabe mais em quem confiar, até que se vê diante da mais importante pergunta: é possível acreditar em tudo o que vemos com os próprios olhos, mesmo quando é algo que desejamos desesperadamente?
Para encontrar a resposta, Maya precisará lidar com os segredos profundos e as mentiras de seu passado antes de encarar a inacreditável verdade sobre seu marido – e sobre si mesma.

Maya Stern é uma ex-piloto de operações especiais que recentemente voltou da Guerra do Iraque, rebaixada de posto após um episódio controverso cujo áudio foi divulgado um site chamado Boca no Trombone. Em razão disso, precisou se contentar com uma desonrosa dispensa e está tentando criar a filha de dois anos após enterrar o marido Joe, cuja morte ainda está despertando suspeitas na polícia, dado ele ser um dos filhos da poderosa família Burkett.

“Joe estava sendo enterrado três dias após ter sido morto.

Maya usava uma roupa preta, tal como condizia às viúvas enlutadas. Sob o sol inclemente, por vezes senta-se de volta ao deserto em que havia passado tantos meses. Nem sequer ouvia os clichês proferidos pelo pastor da família. Olhava vagamente para a escola no outro lado da rua.

Sim, o cemitério ficava em frente a uma escola de ensino fundamental.” – Pág. 7.
Em razão das dúvidas que ainda cercam a situação, Maya decide aparar as arestas antes de seguir em frente. Mas, o que era apenas para ser apenas uma investigação de um homicídio acaba virando uma enorme bola de neve que, se se chocar contra uma árvore, vai espalhar para todos os lados. Algo que certas pessoas não desejam, o que coloca a ex-piloto em uma série de situações que colocam à prova sua própria sanidade.

Maya Stern só quer uma coisa: garantir o futuro da filha. Mas ela será capaz de garantir o próprio?


Primeiramente, preciso pedir a vocês desculpas por essas três últimas semanas em que não postei sequer uma linha no Rillismo, mas infelizmente eu não estava com a inspiração nos meus melhores dias e como vocês já sabem, não gosto de fazer postagem mal feita. Ainda, estava me recuperando de uma viagem de dez dias que fiz à Argentina de ônibus e creiam, esse tipo de jornada não é de fácil recuperação, ainda mais quando é a primeira vez que você está fazendo isso. Mas, posso garantir que cada dia fora do Brasil valeu a pena e voltei de lá com a inspiração a mil para continuar meus contos parados há meses.
“Aliviada, Maya quase abriu um sorriso. Deveria ter insistido e colocado Lily numa escolinha daquelas meses antes. Com a opção babá ela ficava nas mãos de uma única pessoa sobre a qual tinha pouco ou nenhum controle. Na creche, não. Na creche sempre havia testemunhas para todas as eventualidades, câmeras por toda a parte e, principalmente, socialização com outras crianças. Nada mais seguro que isso, certo?” – Pág. 67.


Segundo e agora realmente importante, vim falar sobre um dos mais recentes livros da editora Arqueiro, A Grande Ilusão, do americano Harlan Coben, autor da série de livros estrelada pelo detetive Myron Bolitar e o sobrinho do mesmo, Mickey, cujos livros ultrapassam os quinze e pelo menos um monte de outros com histórias únicas. Esse que irei aqui comentar é um desses últimos embora confesse que não sei por onde começar, pois ainda estou tentando me conformar com o caminho que o Coben toma nessa história. Que garanto, vai deixar muita gente bem dividida.

“Segui-lo seria arriscado. Ele poderia perceber que estava sendo observado, e ela poderia perdê-lo de vista. Talvez fosse melhor deixar as sutilezas de lado e cercá-lo ali mesmo no estacionamento da boate. Acuá-lo e exigir respostas. Mas esse caminho também tinha lá os seus problemas. A casa certamente contava com um forte esquema de segurança. O armário não demoraria a intervir. Ele e os outros. Boates estavam acostumadas a lidar com incidentes assim. Shane, que era da Polícia Militar, costumava dizer a mesma coisa que o armário. Sempre havia aquele cliente que ficava aguardando uma dançarina do lado de fora, na esperança de que ela estivesse interessada em outra coisa que não fosse a carteira dele. O que nunca era o caso. Por vezes a autoestima desses homens era tão baixa que resvalava para o delírio, fazendo com que eles se achassem irresistíveis com a mulherada.” – Pág. 127


Primeiramente, vamos falar da edição física. A Arqueiro nunca faz feio nas edições e dessa vez não foi diferente embora eu tenha achado a capa um pouco comum demais. Mas, pode ter sido intencional, dado o que o autor com certeza quis passar. A fonte esta boa de tamanho para leitura e as páginas amarelas evitam que o leitor acabe cansado. Se bem que considerando a fluida escrita do autor e a quantidade de informações a cada capítulo, acaba ficando difícil largar o livro antes do final embora eu tenha terminado em dois dias. Porque quando comecei já era começo da noite e embora a leitura vá muito bem, é necessário dar uma respirada entre os capítulos porque quando eu digo que a quantia de informação é grande, acreditem, é muita coisa mesmo.

“O desejo de privacidade e discrição era mais do que compreensível (Maya também não queria que ninguém ficasse sabendo do seu “transtorno”), mas, por outro lado, tinha seu lado nocivo. Os médicos viviam afirmando que as doenças mentais não eram lá muito diferentes das físicas. Dizer a alguém que sofria de depressão, por exemplo, para esquecer sua condição e sair de casa como se não tivesse nada era o mesmo que dizer a um homem com as duas pernas quebradas para correr até a padaria da esquina e voltar com o pão. Tudo muito bacana na teoria, mas, na prática, o estigma continuava firme e forte.
Numa visão mais condescendente, talvez isso se desse apenas porque era possível esconder uma patologia mental. Se Maya pudesse esconder duas pernas quebradas e andar assim mesmo, provavelmente esconderia. Quem haveria de dizer? Naquele momento ela precisava dar fim à sua agonia mais imediata, depois pensaria em tratar da cabeça. As respostas que ela buscava estavam ali, apetitosamente próximas. Ninguém estaria seguro por completo até que ela descobrisse toda a verdade e punisse os culpados.” – Págs. 190 e 191.


Inclusive a tag do livro: Você acha que sabe a verdade. A verdade é que você não sabe nada., faz um sentido daqueles no decorrer da história, já que somos pegos de surpresa com a proporção monstruosa que o negócio toma. Quando digo isso, acreditem, é o Godzilla umas cinco vezes maior. De tal forma que de repente você chega ao ponto de questionar se até a protagonista é confiável ou não. Não que Maya Stern de alguma forma seja má, mas algumas atitudes dela podem incomodar os leitores, especialmente quando uma descoberta sobre uma situação que a personagem viveu antes acontece. Confesso que essa parte me deixou bem mexida e até me perguntei se ela realmente precisava ter feito, mas, é aquela velha história: faríamos o mesmo na situação em questão? (Como é spoiler, não posso falar.)

“Maya deixou seu carro no estacionamento da creche e seguiu com Kierce. Não deu nenhuma trela quando ele tentou puxar conversa: fechou-se totalmente e assim permaneceu até a delegacia de Newark, onde foi conduzida para uma clássica saleta de interrogatório, igual a tantas outras nas delegacias de todo o país. Sobre a mesa havia uma câmera de vídeo instalada em cima de um pequeno tripé. O cabeludo apontou-a diretamente contra a camêra antes de ligá-la e perguntar se Maya estava disposta a responder a algumas perguntas. Maya disse que sim e assinou um formulário, comprovando o que acabara de dizer.” – Pág. 247.


Mas, Harlan Coben, ao que parece (foi minha primeira leitura do autor) não faz questão de nos entregar personagens perfeitos ou 100 % confiáveis. Inclusive ele não nos poupa de detalhes embora muitos deles a gente precise mais imaginar, já que muitas coisas ele sugere ao invés de mostrar, mas, o resultado não é muito bonito na maior parte do tempo. Todos, até mesmo quem parece a melhor das pessoas, têm algo a esconder nesse livro e com exceção de uns três, têm ligação com o mote da história, que só vem a ser revelado lá perto do final, que devo dizer, não achei que me chocaria tanto, pois nunca esperei que fosse ser aquilo, ainda mais que TODO MUNDO mentiu na história. Como aconteceu? Spoiler, por tanto, adquiram o livro e leiam.

Se recomendo? Absolutamente, pois esse autor realmente se provou muito bom em construir suspense e nos fazer ficar presos ao livro até o desenlace final, além de nos presentear com um epílogo que pode ou não dar um gancho para uma provável (ênfase nessa palavra e no fato que não usei “pouco” ou “muito”) continuação. Além, é claro, de ser um excelente livro e uma ótima pedida para quem gosta do gênero policial.










8 comentários:

  1. Oiii tudo bem??

    Tentei ler Harlan uma vez, e achei que ele detalhava d+, o que me cansou um pouco. Mas começo a acreditar que devo ter escolhido o livro errado para iniciar a leitura. Pois todos falam muito bem das suas obras e da construção da mesma.
    Me interessei pelo livro, e pretendo realizar a leitura em breve.
    Adorei a resenha.
    Bjs Rafa

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  2. Aiii, tu sabe que eu pedi este livro este mês porque eu adoro ele e quero saber como vai ser porque os anteriores são maravilhosos, mas quero ver como vou ficar em relação ao final. Estou com medo agora depois de sua resenha....

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  3. Oiee Renata ^^
    Eu adoro quando saio da minha zona de conforto (de romances) e leio um suspense ou thriller psicológico, mas sabe que não sinto vontade de ler os livros do Harlan? Eu cheguei a ler dois e até que gostei, mas não sei... Não sinto vontade de ler os outros. Fico feliz em saber que o autor conseguiu te envolver e te prender à história até o final, são poucos que conseguem fazer isso, né? Mas não sei se leria :/
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  4. Oi Renata.
    Nunca li nada do autor, mas pretendo fazer isso num futuro próximo, pois adoro o gênero.
    Apesar de que, ultimamente estou optando por livros mais leves de previsíveis, acho que devido ao cansaço.
    Gostei muito das suas colocações e fiquei com mais vontade ainda de conferir uma obra do autor.
    Beijos.

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  5. Oi r,enata. que bacana ver que foi uma primeira experiência tão positiva para você. Eu li poucas obras do Coben, e gostei de umas enquanto de outras não, mas realmente, ele tem esse ritmo frenético que faz a gente querer saber o final logo.

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  6. Ahhh, quero MUITO ler algo do Coben! Espero conhecer uma de suas obras logo, pois só ouço elogios. Amei sua resenha, e adoro me surpreender durante a leitura, então com certeza irei amar ❤

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  7. OI!
    Eu nunca li nada do autor mas morro de vontade.
    Adoro quando imaginamos que a história é uma coisa e no decorrer vamos vendo que a história é muito mais complexa e que não vamos conseguir adivinhar a solução nunca hahahah
    Dica anotada

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  8. Olá,
    Adorei como você descreveu a escrita de Coben, você segue a mesma visão que a minha. Uma característica marcante do autor, é sua maneira de desenhar personagens que sempre podem reservar surpresas. Ainda li esta obra, mas já deixei anotado.

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