15 novembro 2017

[Resenha] Entre irmãs - Por Frances de Pontes Peebles


Título: Entre Irmãs
Autor(a): Frances de Pontes Peebles
Editora: Arqueiro
Páginas: 576
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Sinopse: Ganhador do Prêmio de Ficção do Friends of American Writers e agora adaptado para o cinema, Entre irmãs é uma história de amor e lealdade, um romance arrebatador sobre a saga de uma família e de um país em transição. Nos anos 1920, as órfãs Emília e Luzia são as melhores costureiras de Taquaritinga do Norte, uma pequena cidade de Pernambuco. Fora isso, não podiam ser mais diferentes. Morena e bonita, Emília é uma sonhadora que quer escapar da vida no interior e ter um casamento honrado. Já Luzia, depois de um acidente na infância que a deixou com o braço deformado, passou a ser tratada pelos vizinhos como uma mulher que não serve para se casar e, portanto, inútil. Um dia, chega a Taquaritinga um bando de cangaceiros liderados por Carcará, um homem brutal que, como a ave da caatinga, arranca os olhos de suas presas. Impressionado com a franqueza e a inteligência de Luzia, ele a leva para ser a costureira de seu bando. Após perder a irmã, a pessoa mais importante de sua vida, Emília se casa e vai para o Recife. Ali, em meio à revolução que leva Getúlio Vargas ao poder, ela descobre que Luzia ainda está viva e é agora uma das líderes do bando de Carcará. Sem saber em que Luzia se transformou após tantos anos vagando por aquela terra escaldante e tão impiedosa quanto os cangaceiros, Emília precisa aprender algo que nunca lhe foi ensinado nas aulas de costura: como alinhavar o fio capaz de uni-las novamente.

De um lado, Emília. A jovem sonhadora e apegada às revistas femininas, dona de cachos bem definidos e curvas que a tornavam cobiçada pelo universo masculino na pequena cidadezinha onde vivia, da qual tinha em mente sair assim que encontrasse o amor de sua vida. Do outro, Luzia. Aventureira e devota à seus santos, a garota desajeitada que recebia dos moradores da mesma cidadezinha o apelido de Vitrola, devido ao braço torto que provinha da queda de uma árvore. Para a primeira, casar-se com alguém que a amasse e a quem pudesse amar de volta, era a grande meta. Já para a segunda, esta não era uma opção. Além do amor e habilidade pela costura, a única coisa que as irmãs mantinham em comum era, talvez, o amor uma pela outra.

"Duas meninas, uma ao lado da outra. Ambas de vestido branco. Ambas com um missal nas mãos. Uma delas tinha um largo sorriso no rosto. Seus olhos, porém, não combinavam com a felicidade rígida que a boca expressava. Pareciam ansiosos, na expectativa de algo. A outra tinha se mexido no momento em que a foto foi tirada e estava, portanto, fora de foco. A menos que se olhasse bem de perto, e que fosse alguém que a conhecesse, ficava difícil saber exatamente quem era."

Desde à morte dos pais, quando ainda eram crianças, Emília e Luzia viviam com a tia Sofia. Suas vidas giravam em torno de tecidos, religião e economias que precisavam ser feitas para a boa vivência do trio. A chegada de cangaceiros à cidade, de um cangaceiro em especial, pode ser, entretanto, o que está prestes a virar a vida de Luzia ao avesso. Emília, por outro lado, encontrará a chance com a qual tanto sonhara de mudar-se para a cidade grande... mas a promessa de uma vida melhor pode se tornar apenas mais um de seus grandes arrependimentos, mais tarde.

"Emília fora negligente com a própria vida. Vivia tão ansiosa para deixar o interior que escolheu Degas sem analisá-lo, sem avaliá-lo. Nos anos que se seguiram à sua fuga, tentou consertar os erros inerentes àquele começo apressado. Certas coisas, porém, nem valia a pena consertar."

Após anos separadas e vivendo vidas que eram ainda mais distintas do que qualquer uma delas poderia imaginar, as irmãs serão novamente ligadas por algo muito mais forte do que os laços de sangue... e que as manterá unidas, ainda que fisicamente sigam distantes, pelo resto de seus dias.


Entre irmãs foi um livro que me despertou um misto de sentimentos contraditórios do início ao fim. Horas me apaixonei, horas me senti um tanto entediada.

Considero um dos pontos mais positivos do enredo as descrições feitas a cerca dos lugares e da época. Dá para notar que foi tudo muito bem pesquisado antes de ser descrito, a riqueza de detalhes nos cenários e pessoas nos levam diretinho à década de 1930 e tornam as cenas muito gostosas de serem lidas. O livro também aborda temas atuais e bastante interessantes, aos quais não nomearei para evitar spoilers, mas que incrementam as páginas. E, por fim, a lealdade, que é um sentimento constantemente presente no decorrer da história e que me despertou grande admiração.

As personagens da história, por outro lado, foram a cereja que faltou no bolo para mim. Não consegui me apegar ou cativar seriamente por nenhuma delas, embora tenha sentido um certo carinho por Emília e Luzia (principalmente pela segunda) ao longo dos capítulos. Mas penso que elas poderiam ter sido trabalhadas de forma mais aprofundada. Talvez, essa falta de profundidade que senti nos personagens, seja justamente o que me levou a cochilar em algumas partes. Confesso que também senti falta de um romance bem construído. Eu já imaginava que esse não seria o foco da história, claro, mas ainda assim fez falta. O único casal no qual eu comecei a enxergar pitadas de romance foi muito pouco desenvolvido para que eu pudesse, de fato, criar emoções relacionadas a isso.

É um livro de escrita super fluída e agradável, o que novamente o fez subir em meu conceito.

Posso concluir que entre irmãs, apesar de não estar em minha lista de favoritos, é um bom livro e vale a pena ser lido, especialmente por aqueles que curtam romances ricos em detalhes históricos.





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