22 novembro 2017

[Resenha] Eleanor Oliphant está muito bem - por Gail Honeyman


Título: Eleanor Oliphant Está Muito Bem
Autor(a): Gail Honeyman
Editora: Rocco
Páginas: 352
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Sinopse: Livro de estreia da escocesa Gail Honeyman, Eleanor Oliphant está muito bem foi revelado através de um concurso literário e, desde então, vem conquistando excelentes críticas e uma bela carreira internacional. Aos 30 anos, Eleanor Oliphant trabalha na área administrativa de uma empresa de design e leva uma vida solitária, mas feliz. Apesar de ser alvo de bullying no ambiente de trabalho por sua aparência e hábitos peculiares, ela não sente falta de nada e parece perfeitamente à vontade com sua falta de habilidades sociais. Mas tudo muda quando ela conhece Raymond, novo funcionário da área de TI da empresa, e os dois, por acaso, salvam a vida de um senhor que desmaia no meio da rua. Com sensibilidade e muito bom humor, a autora conta a história de uma amizade que muda para sempre a vida de três pessoas muito diferentes, que descobrem que a melhor maneira de sobreviver é abrindo o coração.

Eleanor Oliphant é vista como uma garota estranha. E não somente pela aparência um tanto desleixada que mantêm e a cicatriz que cobre a metade de seu rosto, ou o fato de ser, claramente, mais solitária do que qualquer humano deveria. Seus hábitos rotineiros que nunca, nunca mudam, por exemplo, são fiéis colaboradores para tal visão. Da casa à empresa de design onde trabalha, da empresa direto para casa. As noites de quartas-feiras são reservadas, imutavelmente, para os telefonemas à mãe que há muito vive longe. Às sextas-feiras são, provavelmente, o ponto mais agitado em sua semana: é dia de pizza marguerita e vinho. Apenas aperitivos para algumas garrafas de vódica e o sono pelo qual seria levada, mais tarde, e onde passaria os próximos dois dias.

"Sempre me orgulhei muito de cuidar da minha vida sozinha. Sou uma sobrevivente solitária. Sou Eleanor Oliphant. Não preciso de mais ninguém – não há nenhum grande vazio em minha vida, nenhuma parte faltando em meu quebra-cabeça particular. Sou uma entidade independente."

Tachada de doida e esquisita por onde quer que vá e totalmente indiferente a isso. Alheia ao mundo atual e as atividades mais simples oferecidas por ele, como ir à um salão de beleza, comprar roupas, frequentar restaurantes ou lanchonetes, sua relação com pessoas se restringe aos cumprimentos habituais e distantes dos colegas de trabalho. Quebrar um mínimo costume de rotina que seja, para Eleanor, é algo impensável. Porém, ela se vê obrigada a considerar tal possibilidade quando, ao fim de um expediente e em uma caminhada nada a vontade com um dos funcionários da empresa, Raimond, ambos testemunham a queda de um senhor na calçada e encontram-se em posição de socorrê-lo.

"– Chame uma ambulância, Eleanor – disse ele em voz baixa.
– Eu não tenho celular – expliquei. – Embora esteja aberta à persuasão em relação a sua eficácia. – Raymond remexeu no bolso de seu casaco e me jogou o dele.
– Depressa – disse ele. – O velho está completamente apagado.
Comecei a discar o número, em seguida uma lembrança me atingiu em cheio. Eu não podia fazer aquilo outra vez, percebi, simplesmente não podia viver e escutar uma voz dizendo De que serviço a senhora precisa?, e em seguida, a aproximação das sirenes. Toquei minhas cicatrizes, e depois joguei o telefone de volta para Raymond."

É nesse dia que sua rotina intacta deixa de existir. É assim que, ligada à dois estranhos por um incidente, Eleanor é levada para fora de sua zona de conforto e impulsionada a descobrir novos horizontes, conhecer um número de pessoas muito maior do que imaginava ser capaz e respirar novos ares. Dona de seus tantos segredos e um evidente passado sombrio, terá de enfrentar seus medos, manias e traumas... uma luta onde a recompensa se constitui em tudo aquilo que ela não somente não imaginava querer, como jamais soubera existir: o conforto de morar no coração de outra pessoa.

"Há cicatrizes em meu coração, tão grossas e desfigurantes quanto as de meu rosto. Sei que estão ali. Espero que reste algum tecido ileso, uma área através da qual o amor possa entrar e fluir para fora. Espero."

Eleanor Oliphant está muito bem é dividido em 41 capítulos e narrado em primeira pessoa.


Terminei essa leitura há poucas horas e tive de produzir a resenha imediatamente, sim, tamanho foram os sentimentos que a história me despertou. Confesso que, nos primeiros capítulos, talvez durante uns seis ou sete, minha leitura andava bastante engajada e eu só pensava "mas que droga, esse livro não vai me pegar".

Ah mas pegou sim, pegou muito!

Até agora estou encantada e apaixonada com o mundo de Eleanor e a reviravolta literária que ele me causou. Nossa protagonista, por sinal, foi um dos pontos mais positivos para mim e merece um destaque aqui. Peculiar, é a palavra que lhe define melhor. Distante do universo à sua volta e de si mesma, claramente insegura e com seu jeito todo atrapalhado, foi impossível não criar um vínculo e torcer por seus avanços a cada página. Além, claro, de todas as sonoras gargalhadas que ela me arrancou junto à algumas lágrimas, diante de sua personalidade extravagante e agradavelmente ingênua. Quanto aos personagens secundários, Raymond, por exemplo, Sami (o senhor ajudado por eles) e outros, foram todos muito bem construídos, de modo a nos fazer cativar por cada um.

Todo o enredo segue um percurso natural e em nenhum instante forçado, o que o engrandeceu ainda mais para mim. Pude acompanhar a evolução de Eleanor passo a passo, sem pressa, sem que isso soasse imediato demais. É uma história leve que nos emociona e diverte, com pitadas de drama e mistério que nos deixam alerta e dispostos a descobrir mais. Rica em descrições, especialmente das relações gestuais dos personagens, o que nos envolve e traz aquele sentimento de "nossa, estou mesmo dentro das cenas". A narração em primeira pessoa, na minha opinião, contribuiu ainda mais para a empatia e o carinho despertados pela personagem. Não é um livro dado à demonstrações românticas, o que milagrosamente não me fez falta em momento algum.

Os primeiros capítulos talvez soem um tanto tediosos mas, eu garanto, valem a pena e só melhoram. Fora isso, não encontrei pontos negativos a serem destacados.

Eleanor Oliphant está muito bem foi um livro que me surpreendeu, tanto em seu progresso com meu envolvimento, quanto nos segredinhos revelados ao final. Uma história regada a amor e lealdade que eu recomendo para qualquer um que curta rir e chorar ao mesmo tempo, diante de um livro.

3 comentários:

  1. A resenha em si já me pegou, imagina fazendo a leitura. Gosto muito de leituras que tem esse poder de nos fazer rir e chorar, sempre faz com que a história seja marcante. Não conhecia o livro, mas fico feliz com a postagem, uma excelente dica.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  2. bom que a leitura acaba engrenando com o decorrer dos capítulos... de qualquer forma, a premissa não se revelou algo surpreendente a ponto de me chamar a atenção pra leitura dele, mas fico feliz que vc tenha apreciado e se encantado com o livro...
    bjs :D

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  3. Heiii, tudo bem?
    Uauuu...nem imaginei que o livro seria tudo isso!!!
    Já vi a capa varias vezes nas lojas, mas ainda nao tinha me fiscago. Primeira resenha que leio e vejo que preciso mtoooo ler "Eleanor Oliphant Está Muito Bem"!!
    Gostei demais do que apresentou sobre o livro e ja vi que é a minha cara, amo leitura que vicia.
    Adorei a dica.
    Beijos.

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