06 outubro 2017

[Resenha] Um diário para Melissa - Por Teresa Driscoll



Título: Um diário para Melissa
Autor (a): Teresa Driscoll
Páginas: 320
Editora: Rocco / Fábrica 231
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Sinopse: Por 15 anos apresentadora do programa Spotlight, da BBC, a jornalista e escritora britânica Teresa Driscoll conta, em seu emocionante romance de estreia, uma história sobre perda e luto, amadurecimento e superação. Melissa Dance acaba de completar 25 anos e ganha um presente inesperado: um diário escrito por sua mãe, morta quando ela estava com apenas oito anos de idade. Vítima de um câncer, Eleanor decidiu colocar no papel segredos, conselhos, receitas e outros escritos para a filha que ela não veria crescer e se tornar uma mulher. Emocionada e em choque, Melissa parte numa viagem de férias levando consigo o caderno, mas, acima de tudo, revisita aromas e sabores da infância, revive dores nunca superadas completamente e se surpreende com segredos revelados pela mãe que ela mal conheceu. E enquanto tenta lidar com os dilemas que a vida apresenta no presente, acaba se encontrando através de seu passado.


"Ah, minha menina querida. Você vai ficar chocada. Não é? No momento em que começo a copiar essa primeira receita e a separar a fotografia que a acompanha, posso sentir isso. Seu choque.
Já andei de um lado para outro e agora há um cesto de lixo cheio de papéis amassados. Comecei a escrever vezes sem conta. Estou tão preocupada em fazer isso certo. Em colocar tudo do modo certo.
Acabei em tal estado de nervosismo — verdade seja dita — que estou preocupada que esse não seja o dia certo para começar. Mas o que mais fazer? Tentar amanhã? Depois de amanhã?"

Melissa Dance era uma mulher de vinte e cinco anos com uma carreira promissora no jornalismo, e que era amada incondicionalmente por seu pai, Max. Quando ela completara oito anos, sua mãe, uma mulher dedicada, animada e feliz perdera a vida para um câncer de mama, descoberto enquanto fazia biscoitos com a filha, através de um simples toque no ceio a fim de tirar a farinha acumulada por cima do casaco. A partir do dia da descoberta, Eleanor, a mãe, adiara ao máximo uma consulta com algum especialista. Tinha medo do que poderia encontrar, devido a ter perdido anteriormente uma parente para a doença. E dessa forma, quando descobriu o que era realmente aquele caroço já era tarde. Eleanor tinha apenas poucos meses de vida, e, não querendo desperdiçá-los, quis aproveitá-los ao máximo com Melissa, fazendo receitas criativas, passeios e planejando o futuro, tudo sem contar para a garotinha o que estava acontecendo. Além disso, preparou carinhosamente um diário, onde deveria falar de mulher para mulher, dando conselhos, escrevendo as receitas que elas preparavam juntas, e contando segredos, tudo para que a menina não se sentisse sozinha no futuro.

"O que quero muito lhe dizer é uma verdade da qual não tenho muito orgulho, e que levei muito tempo para aprender com ele. Fiz as escolhas erradas tantas vezes, Melissa, antes de conhecer seu pai. Pensava errado. Dizia as coisas erradas. Nunca magoei as pessoas de propósito, ou nada assim. Não me acho uma pessoa ruim. Com certeza espero que não. Mas com muita frequência eu simplesmente optava por me abster. Não me dispunha a agir de um modo que poderia fazer a diferença. Então, de alguma maneira, o tempo com Max me suavizou e me ensinou a parar e pensar um pouco mais. A abrir meus olhos."

Tal diário deveria ser entregue quando Melissa completasse vinte e cinco anos de idade. E assim o foi, para a sua surpresa, que jamais esperara algo do tipo. Confusa, sem entender qual havia sido a intenção da mãe, e abalada por um recente pedido de casamento do namorado de longa data, Melissa faz uma viagem e nela, lê aos poucos o livro tão especial. Inicialmente relutante, e depois despertada por lembranças, ela descobre mais sobre a mãe que perdera, e pode finalmente tentar abrir as portas para o seu futuro e deixar de lado as amarras de sua vida, que era ainda marcada intensamente  por aquela perda e por aquele luto.

"Melissa virou a cabeça mais uma vez e sentiu de novo o aroma, mas muito sutil. E se foi, antes que ela pudesse agarrá-lo. Antes que pudesse assimilar adequadamente a sensação. Um arrepio a percorreu, então, e não por causa da brisa, enquanto Melissa fechava os olhos e percebia o que era aquilo.
Por um instante fugaz, tentador e inatingível, foi como se lembrar exatamente de como era ter a mãe no mesmo cômodo.
Não uma lembrança. Não uma imagem. A sensação de verdade."

Escrito de forma leve e nostálgica, Um diário para melissa é uma prova do amor de mãe por uma filha, e nos traz reflexões sobre nossas vidas, nossas perdas e nossos receios.

"mas às vezes ser bom é decidir não ficar em cima do muro. Fazer alguma coisa, em vez de não fazer nada."





Eu gosto muito de livros que são escritos em forma de diário, e o fato de ter essa palavra, no título dessa obra, foi o que me chamou atenção inicialmente para ele, aliado a sinopse, que descobri logo depois, e que também me fez ter bastante interesse. Porém, infelizmente, quando tive a oportunidade de ler, o livro acabou se mostrando diferente do que eu imaginava. É uma história bonita, instigante e que nos toca, mas ainda assim, não conseguiu mexer comigo como eu esperava que o faria.

Na verdade, o mais adequado para definir essa leitura é que ele tem uma ideia maravilhosa, mas que não foi tão bem executada. Com uma narração dividida entre os capítulos do passado, quando Eleanor descobriu o câncer, e o presente, quando Melissa recebe o diário, ele me deixou entre extremos. Nos momentos de Eleanor, eu me sentia apaixonada e encantada por tudo o que encontrava. Já nos momentos de Melissa, eu só pensava em finalizá-lo de uma vez.

E esse ponto da personagem Melissa talvez tenha sido o mais incômodo para mim. Não encontro uma palavra melhor para defini-la senão  "confusa". Talvez, posso chamá-la também de "irritante" e confesso que em alguns momentos a achei desagradável com toda as suas dúvidas e dilemas. Logo nos primeiros parágrafos, descobrimos que a personagem foi pedida em casamento pelo namorado, Sam, e mesmo querendo, ela declara que não acha necessário no momento, e começa a afastar o rapaz. Isso é justificado pelo fato de ela ser traumatizada com a perda da mãe, mas, o que não me fez ter empatia por ela ocorreu porque em nenhum momento ela demonstra ser afetada por essa perda e por esses traumas, e somente soa alguém que não sabe o que quer. Além disso, tudo pareceu morno demais para mim, até mesmo o final que foi bonito, mas que não conseguiu me empolgar ou marcar.

Por outro lado, a minha empatia nessa obra foi toda dedicada a Eleanor, e esse foi, para mim, o ponto mais positivo da história. É possível sentirmos fluindo das páginas o carinho com o qual Eleanor escreveu o diário, e até mesmo conseguimos visualizar quando ela conta à filha suas incursões na cozinha, seus passeios pela praia e todas as coisas que ela fez, só para ver um sorriso no rosto de sua garotinha. Ainda, achei bonito o amor entre Eleanor e Max, e gostei muito do rumo que a vida dele tomou na obra.

Já falei bastante a respeito da personagem Melissa, e a conclusão é que eu não gostei dela. Mas, o namorado da protagonista, Sam, foi um homem que me cativou e que nos deixa com vontade de abraçá-lo, por ser fofo, romântico e daqueles que sonham em construir uma família. Max também foi alguém que gostei muito, e que dava para sentir efetivamente os seus sofrimentos, dilemas e dúvidas. Além disso, temos alguns coadjuvantes, como colegas de trabalho de Max, que são importantes para a história. E tem Eleanor, a mãe de Melissa, que pelo que vemos pelo diário, é uma personagem que nos desperta muito amor.

Narrado em terceira pessoa, o livro é dividido em trinta e oito capítulos de tamanho curto, e que são fáceis de serem lidos. As visões são alternadas pelo ponto de vista de Eleanor, Max, Melissa e Sam, sendo que os homens tem poucos capítulos, e a predominância é a narrativa de mãe e filha. Além disso, realizei a leitura em ebook, e não encontrei erros nas 320 páginas que compõem essa obra.

Recomendo essa leitura para aqueles que desejam uma história leve, daquelas para serem lidas em uma tarde chuvosa. Este é um livro que nos faz pensar nas nossas próprias histórias com nossas mães, e também na importância das coisas simples que fazem parte do nosso dia a dia.




7 comentários:

  1. Eu pensava que a leitura seria bem interessante e intensa, afinal, a personagem passa por coisas que talvez mexem com algo de dentro dela, com o passado e tudo mais. Parece triste, mas um redescobrimento pessoal grande. É uma pena que não te agradou tanto, é muito ruim quando a gente não se envolve tanto quanto espera e isso acontece, né? Mas é sempre bom ler livros que nos fazem pensar sobre nossas relações.

    Desejo que as próximas leituras sejam ótimas!
    Beijos!

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  2. Como você, eu também gosto muto de livros em forma de diário, mas tem um tempo grande que não leio nada com esta característica e por isso já fiquei curiosa com este aqui. Sua resenha me deixou bem interessada na trama.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  3. Oi, Tamara!
    Que pena que o livro não foi aquilo que tu esperava =/ a trama me pareceu bastante promissora pela sinopse, acho que essa reflexão sobre nosso relacionamento com nossas mães é muito importante e sempre bem-vinda (porque eu sei que muita gente nunca parou para pensar nisso). Marquei o título pra procurar mais depois :)
    Beijos!

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  4. Bom dia Tamara!

    Quando comecei a ler, me lembre de a Lista de Brett, por ser uma história de mãe e filha e tal...fiquei muito curiosa para ler, pq adoro histórias assim e tbm gosto da forma escrita como diário. Que pena que vc não gostou muito do livro, mas mesmo assim eu vou dar uma chance...Gostei muito da sua resenha!
    Beijos

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  5. Oiee Tamara ^^
    Eu ainda não conhecia esse livro, e depois de ler a premissa dele até que fiquei curiosa... mas ver que ele não conseguiu te envolver da maneira como você queria (que eu imagino que seja também a maneira como eu gostaria de ser envolvida por uma história assim) me deixou um pouco desanimada. Uma pena também que Melissa não seja uma personagem tão...gostável.
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  6. Oi Tamara,
    Inicialmente a obra me deixou bem instigada, mas quando você fala sobre os altos e baixos dessa narrativa fico relutante em querer lê-lo.
    É bem chato quando um livro consegue nos prender, mas tem vários momentos que queremos finalizar logo a leitura.
    A proposta é bem interessante, mas fico com o pé atras, pois um dos pontos que já espero que seja bem explorado é a situação do câncer de mama e acho que não é tão o foco assim.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia o livro, mas fiquei bastante curiosa para ler, apesar das suas ressalvas.
    Uma pena que a premissa que era tão boa, não tenha sito bem executada no livro e que a Melissa seja uma protagonista tão confusa. Acho que isso também me incomodaria um pouco. Por outro lado, o modo como você falou sobre Eleanor me convenceu a querer ler.
    Adorei sua resenha e a dica já está anotada.
    Beijos!

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