04 outubro 2017

[Resenha] Piano vermelho - Por Josh Malerman



Título: Piano Vermelho
Autor(a): Josh Malerman
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
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Sinopse: Ex-ícones da cena musical de Detroit, os Danes estão mergulhados no ostracismo. Sem emplacar nenhum novo hit, eles trabalham trancados em estúdio produzindo outras bandas, enchendo a cara e se dedicando com reverência à criação — ou, no caso, à ausência dela. Uma rotina interrompida pela visita de um funcionário misterioso do governo dos Estados Unidos, com um convite mais misterioso ainda: uma viagem a um deserto na África para investigar a origem de um som desconhecido que carrega em suas ondas um enorme poder de destruição.
Liderados pelo pianista Philip Tonka, os Danes se juntam a um pelotão insólito em uma jornada pelas entranhas mortais do deserto. A viagem, assustadora e cheia de enigmas, leva Tonka para o centro de uma intrincada conspiração.
Seis meses depois, em um hospital, a enfermeira Ellen cuida de um paciente que se recupera de um acidente quase fatal. Sobreviver depois de tantas lesões parecia impossível, mas o homem resistiu. As circunstâncias do ocorrido ainda não foram esclarecidas e organismo dele está se curando em uma velocidade inexplicável. O paciente é Philip Tonka, e os meses que o separam do deserto e tudo o que lá aconteceu de nada serviram para dissipar seu medo e sua agonia. Onde foram parar seus companheiros? O que é verdade e o que é mentira? Ele precisa escapar para descobrir.
Com uma narrativa tensa e surpreendente, Josh Malerman combina em Piano Vermelho o comum e o inusitado numa escalada de acontecimentos que se desdobra nas mais improváveis direções sem jamais deixar de proporcionar aquilo pelo qual o leitor mais espera: o medo.


São duas histórias simultâneas, duas realidades diferentes sendo mostradas ao mesmo tempo. Dois universos habitados por um mesmo protagonista, ou não. Porque é de se considerar que depois de todas as transformações que vivera o músico e soldado Philip Tonka talvez não seja mais o mesmo.

"— Agora, se você tivesse quebrado só as mãos e os braços, eu poderia imaginar que se envolveu em um acidente. Em uma prensa ou alguma espécie de torno, por exemplo. Talvez os dois braços estivessem apoiados no tampo de uma mesa e foram esmagados por algo pesado. Mas, é claro, você não quebrou só as mãos e os braços. Também tem fraturas nos fêmures, nas tíbias e nas fíbulas das duas pernas, assim como nas patelas, nos epicôndilos mediais, em todos os eixos transversais, o que por si só teria sido suficiente para provocar o coma, além da maioria dos vinte e seis ossos de cada pé."

Após seis meses em coma devido à múltiplas fraturas causadas por algo desconhecido, Philip acorda deixando todos no hospital atônitos. Suas memórias são um borrão e, quando esticam-se um pouco além, confusas demais para serem compreendidas. Um tal piano, cascos de bode e uma frase cheia de significados os quais ele ainda não consegue reconhecer. "Eu não faria isso se fosse você."

"— A pergunta não é o que você encontrou... mas o que encontrou você."

Em outro tempo, Philip era apenas um homem cujo caminho que procurava era sempre aquele onde houvesse aventura. Charmoso e conhecido por seu talento como músico dos Danes, banda que formara com seus três melhores amigos. Era para ser só mais uma noite de diversão e sucesso entre as mulheres em um barzinho badalado da cidade, porém, foi a noite que mudou a vida de Philip e os colegas de uma vez. A noite em que soldados militares aproximaram-se sorrateiramente e ofereceram uma grande quantia em dinheiro para que eles trabalhassem com o que conheciam melhor: o som. Tudo o que precisavam fazer era ir para a África e encontrar a origem do ruído que vinha interferindo na comunicação com o rádio dos militares e cuja fonte ninguém jamais descobriu. Os quatro amigos tinham todos os motivos para dizer não... e disseram sim.

"Philip compreende que o som começou.
Mas ele está ouvindo?
Ele se sente mal. Enjoado de bebida. Pior. Mais forte. Como se sua pele fosse feita de couro. Está suando. Cores, cinza e preto, serpenteiam em sua barriga. Ele leva a mão à testa.
Os outros estão tapando os ouvidos. Larry parece machucado.
Philip abre a boca para dizer alguma coisa, e a saliva escorre de seus lábios. Parece que vai vomitar outra vez. Larry se levanta para sair da sala, mas não consegue afastar as mãos dos ouvidos por tempo suficiente para abrir a porta. Ele cambaleia e tomba contra a parede em busca de apoio. Vertigem.
Duane está caído de lado no chão.
Mull se inclina para trás na cadeira, paciente, com as mãos cruzadas. Seus olhos revelam que ele sabe exatamente o que os Danes estão sentindo. Ele mesmo já experimentou aquilo.
Philip sente a inimitável sensação de pontas de dedos enfiados em seus ouvidos. Ele se vira depressa. Não tem ninguém ali atrás.
Mull sorri sem alegria. Ele meneia a cabeça.
O que você acha que é isso?, parece perguntar. O que é, Philip?
Philip balança a cabeça.
Não sei. Não entendo. Não é um som. É um sentimento."

Agora, Philip sabe que está em perigo. Suas lembranças conturbadas e o instinto que lhe diz para não confiar em ninguém não o deixam em paz. Sua única amiga, Ellen, é uma enfermeira que tanto já perdeu na vida e, sem qualquer explicação, se apegou a Philip de modo a querer protegê-lo. O que ambos nem desconfiam, no entanto, é que esta proteção pode custar caro. Aos dois.


Piano Vermelho conta com uma narrativa em terceira pessoa, sempre alternada entre o passado e o presente.






Mais uma vez, embarquei em uma leitura cheia de expectativas graças aos bons resultados de leituras anteriores de mesmo autor. Mais uma vez, não me decepcionei.

Confesso que, justamente por esta narrativa alternada entre os tempos e a rapidez com que ela acontece, eu me senti um tanto confusa no início do livro e creio que este seja o único ponto negativo que tenha a destacar. No entanto, logo peguei o ritmo e nossa, que livro! Foram páginas de empolgação, adrenalina e sustos, do início ao fim. Um dos pontos mais positivos para mim foi o cenário em que a história se passa no presente, o hospital, pois é descrito com bastante esmero, dando às cenas um clima meio aterrorizante e aos leitores, a sensação de que algo ruim pode ocorrer a qualquer instante.

Considero que os personagens também foram muito bem desenvolvidos. O protagonista, Philip, me cativou desde o primeiro momento com seu jeito simples, frágil sem jamais deixar de exalar força. Vibrei e torci por ele o livro todo. Sua amiga e enfermeira, Ellen, me despertou enorme admiração pela coragem e determinação que demonstrou o tempo todo para ajudar e ficar ao lado do paciente. Os Danes, amigos de Philip e personagens secundários também contribuíram bastante para que o enredo gozasse de certa emoção. Até um dos vilões, digamos assim, o qual não vou citar nome para não dar spoiler, foi bem construído no sentido de que ele aparecia, pronto, eu já estava com medo.

Recomendo Piano vermelho para qualquer um que curta uma boa história de terror combinada com suspense. É digno de uma bacia de pipocas e um cobertor para se esconder dos horrores de um certo som, claro.

5 comentários:

  1. Oi, Isabella!
    Já li "Caixa de Pássaros do autor e fiquei maravilhada.
    O autor tem uma escrita peculiar que me agrada, então claro que quero muito ler esse novo livro dele. Esse tom sombrio de suspense é muito bom!!
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

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  2. Olá...
    Adorei sua resenha!
    Desde que a editora lançou essa obra eu estou bastante ansiosa para realizar essa leitura. A premissa é muito interessante, traz elementos interessantíssimos e é exatamente o tipo de leitura que curto. Sua resenha me animou ainda mais a ler <3
    Bjo

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  3. Olá...
    Adorei sua resenha!
    Desde que a editora lançou essa obra eu estou bastante ansiosa para realizar essa leitura. A premissa é muito interessante, traz elementos interessantíssimos e é exatamente o tipo de leitura que curto. Sua resenha me animou ainda mais a ler <3
    Bjo

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  4. Oi!
    Eu estou bem ansiosa para ler algo desse autor, nunca li nem Caixa de Pássaros, mas confesso que meu receio é um pouco com o final que as pessoas sempre dizem decepcionar, diferente da sua resenha.
    Adoro livros que me prendem, deixam apreensivas e me dão sustos, com certeza vou gostar dessa leitura

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  5. Todos estão falando super bem da escrita desse autor. Eu ainda não tive a oportunidade, mas ja adicionei na minha wishlist.

    Adorei sua resenha, ela ficou ótima!.beijos

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