17 outubro 2017

[Mês do Terror] Claquete: Nosferatu, uma sinfonia de horrores || 1922


Sinopse: O corretor de imóveis Hutter precisa vender um castelo cujo proprietário é o excêntrico conde Graf Orlock. O conde, na verdade, é um vampiro milenar que espalha o terror na região de Bremen, na Alemanha e se interessa por Ellen, a mulher de Hutter.

Título: Nosferatu, uma sinfonia de horrores
Título original: Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens
Lançamento: 17 de fevereiro de 1922
Duração: 1h34min
Diretor(a): F. W. Murnau
Gênero: Terror

Hutter é um jovem corretor imobiliário que vive com sua esposa, Ellen, na região alemã de Bremen. O rapaz, para sustentar a família, trabalha com Herr Knock, um homem de reputação duvidosa, mas que costuma ser generoso quando o assunto é o salário dos funcionários.

Um dia, Hutter é convocado para realizar uma venda nos confins da Transilvânia para um nobre chamado Graf Orlock, sem imaginar que aquela viagem seria só o começo de um pesadelo não apenas para ele, mas também para sua cidade natal.


Dessa vez o meu post é muito diferente do que meio mundo leitor do Rillismo está acostumado.

É um filme antiquíssimo, mudo, exceto pela trilha sonora incluída na versão restaurada do filme. Feito em 1922, quando vigorava o Expressionismo Alemão no cinema da Alemanha, ele se tornou um incontestável clássico da Sétima Arte e a primeira adaptação realmente conhecida do famoso livro Drácula, de Bram Stoker.

Ô Lady, de novo um post baseado no rei dos vampiros? Sim, e vou continuar assim até o dia 31, onde se comemora o Dia das Bruxas.

Sim, leitores queridos, eu sei que há perguntas a serem respondidas no texto.

Primeira, o que foi o Expressionismo Alemão? Um movimento artístico surgido logo após o fim da Primeira Grande Guerra, onde a Alemanha saiu derrotada e humilhada, nem sombra do grande Estado idealizado por Otto Von Bismarck. Minha explicação não parece nem um pouco esclarecedora? Não tem como ser porque é difícil explicar com palavras algo que você precisa assistir para entender, já que esse movimento é mais lembrado pelos filmes realizados nessa época, como Nosferatu, o que aqui comento, O Gabinete do Dr. Caligari, de 1919 e Metropólis, de 1927. Razão pela qual já aviso que o filme aqui revisado não é para qualquer público, ainda mais o atual, acostumado com um tipo de cinema totalmente diferente.

Caso queiram um texto que explique melhor o conceito do Expressionismo Alemão, cliquem aqui ou neste outro.


Nosferatu é dividido em atos, tal como numa peça teatral. Pois a maior parte dos atores da época eram advindos do palco, inclusive o próprio Max Schreck, o responsável por dar vida (ou morta-vida, vocês escolhem) ao Conde Orlock (caso alguém não tenha percebido, “graf” é a palavra alemã para “conde”). Até mesmo foi criada uma lenda urbana em cima da impressionante atuação do ator em questão: que ele era um vampiro real contratado pelo diretor para dar mais veracidade ao filme e que receberia o pescoço da atriz Greta Schröeder como recompensa. Naturalmente, invencione demasiada. Especialmente porque lá nos anos vinte não existia a miríade informações atualmente tão difundida e não raras vezes mal utilizada por muita gente.

A atuação, nesse filme, é um show à parte: a dramaticidade intensa, propositalmente exagerada, dos atores dá alguma vontade de rir, mas é interessante reparar em como o trabalho como um todo era feito naquela época. Podendo se dizer o mesmo da fotografia, com um jogo de luz e sombra nada menos que extraordinariamente lindo, cenografia, quase toda ela muito natural, e direção, cuja forma de fazer era radicalmente diferente da de hoje, dinâmica e corrida, mas algumas vezes sem aquele charme antigo e muitas delas sem alma, que vemos em produções mais antigas com bem mais intensidade. Além do roteiro desse filme ser bastante fiel ao livro original, inclusive pegando a maior parte da história e colocando-a nos frames de cada ato, embora essa divisão possa incomodar um pouco cinéfilos modernos. Porém, entendam: naquela época era assim que se fazia e a conversa acaba aí.


Porém, a conversa não termina quando se trata do Nosferatu do título porque não apenas a atuação de Max Schreck é excelente, mas a maquiagem é fenomenal e assusta MUITO quem olha o filme pela primeira vez. Olha o cartaz e responde: você encarava esse senhor? Duvido.

A grotesca aparência de Graf Orlock se tornou tão icônica, tão marcante, tão clássica e ainda está no imaginário popular de tal forma que inspirou um mundo de criações vindas depois. Um exemplo: o Clã Nosferatu do RPG Vampiro: A Máscara. De onde vocês pensaram que vinha o clã? No caso, o ovo veio depois da galinha (Ba Dum Tiss). Outro, a aparência do líder dos vampiros na série Salem’s Lot, baseada em um dos livros do King (Camila, tu leu esse?), onde o personagem citado no livro parece um homem na comum, mas na série (que foi exibida muitas vezes como um filme de longa duração), ele parece demais com a aparência do Schreck no filme.


Agora, lembram-se que eu mencionei sobre uma trilha sonora na versão restaurada quando o filme originalmente é mudo? Imagino que muitos irão se perguntar o que aconteceu. O fato foi que, se não fosse pela paciência de gente particularmente apaixonada pelo cinema, o filme teria sido dado como perdido. Por que? Porque a viúva de Bram Stoker, Florence Balcombe Stoker, que não tinha autorizado o uso dos direitos do livro pelos produtores alemães de Nosferatu, ao saber deles usando-os indevidamente, processou os responsáveis mesmo eles tendo alterado consideravelmente alguns pontos, especialmente o tempo em que o filme se passa e os nomes dos personagens. Mas o resultado ficou em essência o mesmo.

O resultado disso? O estúdio onde o filme foi produzido faliu e as cópias do filme teriam de ser destruídas. Porém, com a distribuição tendo sido feita para boa parte do mundo, foi possível recuperar. Inclusive a versão que eu assisti tem vários tons de cor de diferentes: sépia, azulado e preto e branco, em razão de que a restauração, feita por um italiano, foi retirada de cópias distintas.

Se eu recomendo Nosferatu, uma sinfonia de horrores? Recomendo mil vezes, mesmo para os espectadores mais receosos. Porque esse filme é uma aula de História do Cinema. Merece ser visto e apreciado com todo o cuidado, pois muito do que há nesse filme é recurso hoje muito usado embora o cinema mais atual careça de mais uso de vários deles.

Até mais e obrigada pelos ratos.

14 comentários:

  1. Ola Renata para quem gosta desse gênero essa postagem é um deleite, ainda mais sendo antigo em preto e branco. Não conhecia o filme, irei recomendar a meu marido. Que sorte para os fãs o filme não ser destruído. beijos

    Joyce
    Livros Encantos

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  2. Sabe que realmente é bem marcante por ser um filme de 1922. Eu por ser mudo precisa ter um amplo ciclo de dramaticidade. Eu vi alguns mudos e adorei também, porque exige uma grande concentração. Eu li um livro Nosferatu e dá um medo enorme. Parabéns pelo post.

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  3. Olá, amei conhecer um pouquinho desse filme através da sua resenha. A aparência do personagem é mesmo algo a se destacar. Parece ser um filme interessante não só pela sua trama, mas também para que possamos saber mais sobre como era o cinema numa época onde a tecnologia era tão diferente da dos dias atuais.

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  4. O que mais me interessou no filme foi a aula de cinema que contem na linguagem do filme e já vou caçar para ver, ainda que o estilo não tenha muito a ver comigo.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  5. Olá...
    Eu adorei conferir suas impressões sobre esse filme, mas, sou obrigada a passar a dica, pois, sou medrosa demais para assistir qualquer coisa de terror kkk...
    Bjo

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  6. Nunca vi nada de terror que fosse mudo, sempre acho que a sonoplastia é o que mais mexe com meus nervos. Vou anotar a dica e ver no que dá, algo novo, sem dúvida.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  7. Olá! Tudo bem?
    Apesar de fugir horrores do gênero, confesso que tenho vontade de assistir esse filme em questão. Sua postagem está linda, muito bem colocada e altamente cativante. Adorei!

    Beijos!

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  8. Oie, tudo bom?
    Acho que nunca vi um filme tão antigo! Mas sua resenha é tão apaixonada que se conseguir, darei uma chance sim a obra! Não curto muito o tema, mas como você disse, toda a produção deve ser apreciada <3

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  9. Oie!

    Esse filme ainda não assisti, eu tenho pavor de filmes de terror, mas quando toca no nome Drácula e tudo que o envolva eu deixo meu medo de lado e vou assistir, principalmente se for preto e branco, fica mais perfeito ainda a experiencia kkk

    BJss

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  10. Olá, tudo bom?
    Não é meu estilo de filmes, mas veria por ser, como você mesma disse, uma aula de história de cinema. Fiquei curiosa para ver essa cenografia quase natural, esse jogo de luzes utilizado na fotografia e todos esses elementos que citou e que me agradam tanto. Enfim! Tudo o que falou me deixou muito curiosa, inclusive sobre o Expressionismo Alemão, sobre o qual vou pesquisar mais agora!
    Adorei muito o post ♥

    Beijos!!

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  11. Olá Renata,
    Adoro filmes de terror e fiquei muito intrigada com esse, pois não conhecia. A divisão da trama em 3 atos é interessante e adorei saber que a atuação no filme está magnífica.
    Quero para amanhã esse filme para assistir.
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  12. Olá! Não conhecia esse filme, porém confesso que após ler sua resenha e impressões estou com muita vontade de o ver agora mesmo, rs. Sou apaixonada por filmes antigos! Essa recomendação serviu exatamente para mim. Anotei a dica!!! Beijos.

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  13. Oiii!!
    Gosto muito de filmes mudos, vi poucos mas os que vi gostei. Achei bem interessante esse filme, apesar de não gostar muito de vampiros, mas por ser um clássico, eu daria uma chance com certeza. Você conseguiu achar fácil para assistir?
    Beijos

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  14. Oi gente! Tudo bem?
    Respondendo à pergunta da Cristiane: achei bastante fácil. Claro que por ele ser mudo, se acostumar com a dinâmica sem diálogos claros é um pouquinho difícil, mas acabou que eu gostei!
    Agora e mais importante: muito grata e emocionada pelo feedback de vocês, para quem peço desculpas por ter demorado a comentar os posts tão maravilhosos, mas, tive alguns problemas que me fizeram acabar esquecendo meu dever.
    Como compensação pelo atraso e transtorno, trago a vocês um modo de assistir o filme que comentei no texto:
    https://www.youtube.com/watch?v=SWEuP1OGx6A
    https://www.youtube.com/watch?v=7vXnUCSpSSY
    Ambos os vídeos estão em ótima qualidade.
    Abraços e beijos da Lady Trotsky...
    http://rillismo.blogspot.com

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