24 outubro 2017

[Tocando o terror] Claquete: Drácula (1931)


Sinopse: Após hipnotizar um corretor britânico, Renfield, e transformá-lo em seu escravo, o misterioso Conde Drácula viaja para Londres e passa a residir em um velho castelo. Logo, Drácula passa a sugar o sangue de mulheres jovens, vitimando-as. Quando ele coloca seus olhos em Mina, a filha de um importante médico, o cientista Van Helsing é convocado a impedir que o vampiro continue a causar estragos.

Título: Drácula
Título Original: Dracula
Lançamento: 12 de fevereiro de 1931
Duração: 1h14min
Diretor(a): Tod Browning
Gênero: Terror



Renfield, um jovem corretor de imóveis britânico, viaja para a Trasilvânia com o intuito de vender ao nobre Conde Drácula a Abadia de Carfax.
Bem recebido, nem desconfia que essa viagem lhe custará a sanidade e o fará ser escravo da vontade do Mal encarnado, o qual apenas o médico Seward,seu futuro genro John Harker e o cientista Van Helsing podem dar conta.


Novamente, trago um post diferente embora não difira muito do anterior, apresentado na semana passada, falando do filme Nosferatu, já que também temos aqui um filme bem antigo.

No entanto, a diferença de Drácula, realizado em 1931 pela célebre Universal Pictures (um dos mais antigos estúdios de cinema ainda em atividade), para Nosferatu, feito nove anos antes, é tão grande que seria impossível realizar um único texto comparando ambos, pois as estéticas deles têm uma enorme diferença e o cinema já apresentava um avanço técnico maior em comparação à 1922.

No caso, a primeira “versão oficial”, ou seja, autorizada pela família de Bram Stoker, é falada e feita nos Estados Unidos embora a história se passe em Londres. Além do filme ter sido produzido em uma época de recessão econômica, dois anos após a famosa Crise de 1929, onde tudo tinha de ser racionalizado. Este filme custou, em dinheiro atual, 355.000 dólares. Paupérrimo? Naquele tempo, nem. Era fortuna mesmo.


Razão pela qual, embora o filme seja considerado um clássico incontestável do cinema, ele assim o é predominantemente pela icônica interpretação de Bela Lugosi, no papel título e, opinião minha, pela irretocável atuação de Dwight Frye* como Renfield, o escravo do vampiro. É incrível, falando francamente, a capacidade do ator de transitar entre loucura e sanidade e o “sibilo de cobra” vocal que ele realiza é assustador, falando o mínimo. Embora eu não negue o charme da produção técnica e a excelente atuação de Edward Van Sloan como o primeiro Professor Van Helsing. Que só seria “peitado” a partir dos anos cinquenta pelo britânico Peter Cushing, cuja atuação foi tão marcante quanto.


(*Prestem atenção no tom de voz dele e na forma de atuar:)

Não que o resto do elenco principal seja ruim, mas se fizermos um comparativo das atuações, os três citados da produção de 1931 ganham de lavada. Mas, não podemos esquecer que estamos no começo dos anos trinta nesse caso e o filme foi diretamente adaptado de um roteiro teatral, ou seja, o ritmo da produção é basicamente uma peça filmada em película, o que pode tornar o filme chato para muita gente, já que ele preza muito mais diálogos que ação. Além do roteiro em questão mudar vários aspectos do livro original e enxugar muito as situações, incluindo o fato de que quem viaja à Transilvânia e ajuda o negócio do vampiro é Renfield e não Jonathan Harker, uma sacada que achei particularmente genial não apenas por agilizar muito a narrativa fílmica, mas também “tapar um buraco” do livro original, já que Stoker nunca explica claramente como R. N. Renfield enlouqueceu, mas implica (mas nem isso é realmente confiável) que ele conheça Drácula de “outros carnavais” considerando o modo como ele se expressa e o fato de que o próprio vampiro, segundo o livro, esteve fora da Transilvânia pelo menos três vezes em ocasiões.


“Tapar um buraco”, na situação aqui descrita, é um eufemismo meu para enxugar o roteiro de modo a torná-lo realizável, já que até meados de 1939 os filmes dificilmente passavam de 90 ou 120 minutos e nessa época, os produtores se preocupavam mais em entreter o público do que fazer algo realmente “durável”. Eles, porém, não previram que o Drácula se tornaria um gigantesco sucesso e transformaria a Universal no “celeiro do terror” de Hollywood, posto que ela deixou de ocupar em razão do surgimento de outras concorrentes que igualmente realizavam terror e do desinteresse crescente do público. Lugar que veio a ser ocupado menos de vinte anos depois pela produtora inglesa Hammer Films, mas isso é assunto para outro texto.


O sucesso do Drácula feito em 1931 foi tal que seu intérprete, Bela Lugosi, apesar de excelente ator capaz de fazer vários personagens distintos (até Jesus Cristo ele foi), ficou para sempre marcado na imaginação popular com esse papel. Adorado pelas mulheres e sempre com a caixa de correio lotada de cartas dos fãs, isso poderia ter sido suficiente se o papel, mais tarde, não tivesse se tornado seu marco complicado. (Para mais detalhes, pesquisem a biografia de Bela Lugosi no Google.) Cujo icônico traje, ainda hoje inspiração de muitas fantasias de Halloween e amplamente usado nas produções feitas sobre o personagem até meados dos anos oitenta, especialmente a longa e esvoaçante capa (a original permanece com a Universal), foi para o túmulo com seu legítimo dono em 1956.


Vocês me perguntarão de novo, eu sei, se recomendo esse filme. Resposta: totalmente e sem hesitação. Pois se o hoje o cinema de terror é o que se tornou (ainda que com muitas produções de qualidade questionável), foi a Universal e seus monstros, entre eles o nefando, monstruoso e maligno Drácula, que começou a jornada que tão cedo não vai acabar.

Por agora, descansem em paz... Se puderem.

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