05 outubro 2017

[Defesa literária] Como eu era antes de você - Por Jojo Moyes


Este post contém spoilers sobre o livro, não leia esse post se você ainda não leu o livro!
Estou falando sério, pare de ler agora! Esse post contém spoilers.
Caro(a) leitor(a), considere-se avisado(a): esse post contém spoilers.



Olá leitores.

Estou tentando escrever este post há mais de um mês, chego perto de finalizar e sempre acabo apagando tudo por achar que ficou um pouco infantil. Depois de muito refletir, acabei encontrando o problema: eu estava tentando usar termos politicamente corretos e fazendo de tudo para não correr o risco de acabar ofendendo alguém. Agora você me pergunta: isso é uma coisa ruim? Não exatamente, mas acho que acabou deixando o texto um tanto desumanizado, acarretando em um afastamento com o interlocutor. Então peço desculpas de antemão caso eu ofenda alguém ou soe preconceituosa, tento ser uma pessoa despida de preconceitos, mas não sou perfeita e estou disposta a aprender para evoluir.

Resolvi escrever esse texto porque “Como eu era antes de você” acabou tornando-se um livro muito famoso e comentado, especialmente após o lançamento do filme. E, como tudo que está em destaque, existem críticas positivas e negativas a seu respeito. Uma crítica em especial chamou minha atenção: foi um texto postado em um grupo do facebook voltado para leitores. No momento em que li o texto achei a opinião muito coerente, mas não consegui formar minha própria opinião naquele momento, e, infelizmente, perdi o texto e não recordo quem foi o autor. Assim, caso essa postagem chegue ao autor desse texto, entre em contato, por favor, para que seu texto seja publicado na íntegra e receba os devidos créditos.


Bom, qualquer um que já tenha visto algo sobre o livro ou o filme, mesmo superficialmente, sabe que o protagonista, o Will, ficou tetraplégico após um acidente e move somente a cabeça e uma das mãos. Pois bem, o texto ao qual me referi anteriormente argumentou, em linhas gerais, que a pesquisa da autora foi escassa, por isso a obra retratou com pouca exatidão o dia-a-dia de uma pessoa que apresenta o mesmo quadro clínico do Will. No que se refere a esse ponto, eu não tenho como argumentar, pois não conheço alguém com o mesmo quadro do Will. A mim, no momento da leitura, a pesquisa pareceu detalhada e minuciosa, no entanto, creio que só alguém que passa ou tenha passado por isso possa descrever a rotina com exatidão.

Outro ponto destacado no texto foi que o livro prestou-se a aumentar o preconceito em relação às pessoas tetraplégicas. Isso porque (ALERTA DE SPOILER MONSTRO!!!!!!!!!) o Willl comete suicídio assistido no final do livro. E, de acordo com o texto, isso somente reforça a ideia preconceituosa de que quem é tetraplégico não tem motivos para continuar vivo.

Pensei muito nesse ponto e devo dizer que discordo. Creio que a autora teria corroborado com uma ideia preconceituosa se o Will milagrosamente encontrasse uma cura e voltasse a ser o que era. Aí a mensagem passada realmente seria: ele só vai ser feliz / só vale a pena viver se ele conseguir andar. Mas não foi o caso.


Na verdade, para mim a mensagem passada foi a de que o Will conseguiria sim ser feliz caso se aceitasse e que ele e a Lou poderiam ser felizes juntos. Assim, com base nas conversas que tive e nos comentários que li na internet, posso afirmar que, no mínimo, 98% de quem leu o livro e/ou assistiu ao filme torceu para que o personagem optasse pela vida. 

O texto segue argumentando ainda que o ser humano tem a capacidade de se adaptar a novas situações, e isso não aconteceu com o Will, ele nem ao menos tentou. Realmente, creio que, com o tempo, a pessoa se desapega ao que era antes e começa a viver normalmente de outra maneira. No entanto, as pessoas não são iguais e respondem de maneiras diferentes às situações.


Para ilustrar o que estou dizendo vou usar como exemplo o caso de uma pessoa próxima a mim. Meu tio foi acometido por neuro toxoplasmose e há 15 anos perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo. No começo ele andava com a ajuda de um andador, tomava banho, ia ao banheiro e se alimentava sozinho. Há 10 anos, mais ou menos, o quadro começou a se agravar e hoje ele não anda, mal consegue ficar sentado, não vai ao banheiro e nem come sozinho. E qual a reação dele a isso? Ele colocou na cabeça que está temporariamente doente e que logo voltará a ser o que era antes, não importa o que o médico ou qualquer pessoa diga a ele. Creio que isso seja um mecanismo de defesa, não vou entrar no mérito se é saudável ou não, mas é a reação dele. Sim, a família já tentou convencê-lo a fazer tratamento psicológico, mas ele faz parte daquela “old school” que considera terapia besteira e perda de tempo.

Se a autora poderia ter retratado um personagem que aprende a lidar com a nova condição para ajudar a conscientizar as pessoas? Poderia sim, mas acho que esse não foi o objetivo dela. A mim pareceu que ela criou um romance que trata da tetraplegia como plano de fundo, e não como foco principal. Eu, particularmente, enxergo que a autora quis demonstrar que o amor é capaz de florescer e trazer de volta a alegria de viver mesmo nas situações mais adversas (e aqui não estou me referindo à tetraplegia e sim ao estado psicológico no qual o Will se encontrava quando conheceu a Lou). Claro, aqui posso estar divagando e sendo romântica ao extremo, mas o que mais amo nos livros é que cada pessoa que lê aquela história tem sua própria interpretação de acordo com suas próprias vivências.


No mais, vejo muitas pessoas criticando o final do livro. Se eu gostei daquele final? Na verdade NÃO! O livro deixou claro que o Will conseguiria sim ser feliz com a Lou, por isso achei que a decisão não foi justa com nenhum dos dois. Mas foi uma opção da autora. E, sendo bem honesta, o final não me deixou devastada porque eu recebi um spoiler indesejado antes de começar a ler e já sabia o que aconteceria. Acho que, em decorrência disso, meu foco principal foram as lições deixadas pelos personagens. Por exemplo, com o Will eu aprendi a não deixar para viver depois o que posso viver hoje. Aprendi que se tenho um sonho, devo tomar coragem e correr atrás dele antes que não tenha mais tempo. Aprendi que devo viver minha vida da melhor maneira possível e ter coragem de fazer o que muitos podem considerar loucura. Com a Lou aprendi a ver felicidade nas coisas mais simples. Aprendi a não levar tudo a ferro e fogo e que uma situação ruim pode não ser tão ruim assim se eu simplesmente mudar a maneira que olho para ela.


Vou ficando por aqui. Lembrando que opiniões contrárias são sempre bem-vindas, desde que explanadas com respeito. Já disse e repito: Quem pensa diferente não é inimigo! E, com certeza, não é xingando e ofendendo que você conseguirá impor sua opinião.

Espero que tenham gostado do post. Permaneçam atentos que logo tem mais.

Até logo menos.

8 comentários:

  1. Olá...adorei sua resenha crítica. Eu ainda não consegui ler a obra, mas assisti a adaptação.

    Concordo com você quanto a questão do preconceito...acho que a mensagem que a obra passa é bem triste para aqueles que sofrem com a incapacidade de se locomover. Isso pq o protagonista era muito rico e tinha td o que queria, imagine uma pessoa tetraplégica e pobre lendo a obra...vai pesnsar, se o cara que tinha td desistiu de viver, imagine como será a minha vida?

    Triste isso.

    Abraços e parabéns pelo blog.

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  2. Bem, eu não li o livro e não pretendo. Por sorte e por conta de spoilers (eu gosto deles) sei q não seria uma leitura pra mim. Mas enfim, qnt ao texto tbm não gostei de saber que ele preferiu a morte, esse foi um dos pontos q me afastou do livro. Realmente, cada um reage como quer e vive como bem entende, mas abrir mão de uma das coisas que o ser humano mais busca (o amor) não foi lá MT legal. Entendo q ele deva ter pesando q a Lou ficaria melhor sem ele, poderia levar uma vida comum, mas ele tbm teria de analisar o ponto de vista dela. Enfim, eu não li o livro, não pretendo ler,mas sei q tem um povo q ama, então... Cada um no seu quadrado.

    Raíssa Nantes

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  3. Desculpa mas PQP!!! Me abraça aqui! Eu vi muitas criticas em relação a história, uma muito positivas outras bem negativas. Eu, particularmente, amei muito! Eu queria que o Will continuasse vivo, SIM, É CLARO! Mas, nossa, pesado dizer isso, me colocando no lugar consegui entende-lo melhor. Aaaah, eu fico muito confusa ainda! Kkkkk
    Me identifiquei em vários pontos enquanto lia seu post...
    1) tange recebi spoiler, e lembro como se fosse hoje: estava fazendo pipoca, recebi o spoiler (Não encontrei por acaso, RECEBI!), chorei muito, pipoca virou carvão
    2) também vi a tetraplégica como plano de fundo. Inclusive, ao meu ver, a protagonista principal é a Lou, é o destaque é sua história, de evolução e tal.
    Nem sei mais o que estou falando e nem viu reler o que disse pois sei que está uma emboladeira. Kkkkkkkk
    Amo o livro e ele me passou mensagens incríveis! ❤️

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  4. Olá, eu li "Como eu era antes de você" depois que pedi para uma amiga me contar o final (não cheguei a ver o filme). Na minha opinião, o livro fala sobre como a Lou mudou depois de conhecer o Will, e não o contrário, o Will já tinha tomado uma decisão e nada mudaria isso. Já a Lou precisava ver que havia mais na vida do que ela conhecia até então, tanto que temos mais um livro sobre ela. Não sei se você já viu o filme "Intocáveis" (que eu amo). Nele, também temos um homem rico preso à uma cadeira de rodas, e ele arruma um cuidador improvável, que assim como a Lou, traz alegria para a vida dele, e o desfecho de "Intocáveis" mostra como a vida do Will também poderia ter sido diferente se ele quisesse.

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  5. Olá!
    Eu li o livro e não gostei, o mesmo diz do filme que para mim estava mais para tortura, mas é apenas uma opinião, mas dizer que reforça esteriótipo, acho que as pessoas precisam melhorar muito a capacidade argumentativa quando se trata de livros, arte, literatura, etc. O que reforça preconceitos está na vida real, no dia a dia, na falta de oportunidades, de equidade, etc.
    'Se a autora poderia ter retratado um personagem que aprende a lidar com a nova condição para ajudar a conscientizar as pessoas? Poderia sim, mas acho que esse não foi o objetivo dela. ' A literatura e a arte são livres, não existe obrigação. enfim, seu texto ficou ótimo.

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  6. Oi Barbara.
    Esse foi o texto mais aberto ao diálogo que eu li em relação ao livro.
    Confesso que fui uma das pessoas que ficou indignada com a morte do Will no final, pensei que mesmo depois de tudo o que a Lou fez ele não mudou de ideia.
    Ainda não tive oportunidade de reler, mas acho que quando o fizer talvez eu veja as coisas com outros olhos.
    Achei totalmente coerente seu texto. Penso que as pessoas são diferentes uma das outras e se tem quem pense em seguir a vida e não se deixar abater, há também quem escolhe colocar um fim na dor de não poder mais fazer o que fazia antes. A autora optou por uma dessas escolhas e tudo bem.
    Abraços.

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  7. Oi, Bárbara
    Amei seu post, que não foi em nenhum momento agressivo e preconceituoso, como você pensou que poderia ser.
    Sabe, também não gostei do final justamente porque pensei o mesmo que você: que era possível ele ser feliz junto com a Lou mesmo naquela condição. Também concordo que cada um lida de um jeito com a vida e com o que ela nos impõe, creio que tenha sido essa a mensagem passada pela autora. Ressaltando que nunca sou a favor do suicídio, mas sim da vida, sempre!
    Adorei seu post! E é aquele coisa, né, o livro não deixa de emocionar de qualquer forma.

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  8. Oi Bárbara.

    Eu não li o livro porque eu não tenho ele, mas assisti o filme e gostei bastante. Antes de ver o filme eu já conhecia a história por causa das resenhas que eu lia e muitas eram positivas e li poucas negativas. Sei que no livro deve explicar melhor a decisão de Will e deve ser explicado de maneira bem leve para compreender melhor. Quem sabe futuramente eu leia conheça melhor a história, pois mesmo ter assisto o filme, não descarto a possibilidade de lê-lo, ainda mais depois dessa postagem tão bem escrita. Eu fiquei um pouco de vontade de ter o livro em mãos para ler. Parabéns.

    Bjos

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