07 setembro 2017

[Semana Nacional] Resenha: Dom Pedro I Vampiro - Por Nazarethe Fonseca


Título: Dom Pedro I Vampiro
Autor (a): Nazarethe Fonseca
Páginas: 336
Editora: Planeta
Skoob || Goodreads
Compre: Amazon || Saraiva || Submarino

Sinopse: Pedro é um vampiro. Ele tem hábitos simples, alimenta-se de sangue, dorme durante o dia, dá o ar de sua graça quando chega a noite. Resultado da longa existência, contabiliza inimigos que o perseguem há mais tempo do que pode suportar. É o preço da imortalidade. A vida de Pedro já havia sido bem diferente. Em outro momento, ele foi mortal. Muito jovem, teve de enfrentar o desafio de governar uma colônia corrupta e falida, atividade da qual fez questão de livrar-se na primeira oportunidade. Cansado de ser contido e controlado, o que não combinava com o seu temperamento, declarou independência de um país tropical, sobre o qual haviam depositado muitas esperanças, mas que andava pouco acreditado. E Pedro o fez prosperar, contra tudo e contra todos! Amado, odiado, disputado pelas mulheres, sedento de sangue e de poder, governou o Brasil e nele deixou marcas profundas de suas paixões e desejos. Reis, rainhas e imperadores tornam-se imortais através da morte, como aconteceu a Dom Pedro I, que por um golpe do destino fez o Imperador do Brasil se tornar um vampiro.


Hoje é feriado nacional, o famoso e comentado Sete de Setembro.
Um dia muito celebrado pelo fato de ter marcado a Independência do Brasil, porém, seu proclamador ainda hoje é alvo de muitos comentários controversos.
Nesse minuto, porém, ele está por aí em algum lugar esperando que alguém leia sua história e apesar de tudo, possa compreendê-lo. Jovem demais, o príncipe Pedro, dono de um temperamento livre e difícil de ser controlado, se viu à frente de uma colônia falida e corrupta, tarefa da qual ele quis se livrar o quanto antes. Porém, o surgimento do Conde Durval D’Lord e sua “prima” Lucille, dará um rumo à sua vida que ele nunca imaginou ser possível.
Ele, entretanto, não está disposto a se tornar escravo de qualquer situação que seja e logo trata de tramar um plano para se livrar de vez da situação. No entanto, suas decisões nessa época refletirão por mais de 150 anos e muitas pessoas inocentes pagarão o preço pelo ódio e vingança de Durval, que em razão do plano de seu ex-pupilo, perdeu sua imortalidade, sendo obrigado a possuir corpos para conseguir manter-se vivo e está disposto a qualquer coisa para recuperá-la. Com a ajuda um item capaz de lhe devolver aquilo que lhe foi tirado, que está justamente em posse do vampiro ex-imperador.
Pedro, agora um vampiro e muito diferente daquele príncipe impulsivo e até mimado que povoa os livros de História, não está disposto a permitir que seu grande inimigo volte à sua antiga forma. Nesse ínterim, ele conhece a jornalista Eva, sem inicialmente desconfiar que ela é muito mais do que aparenta, além de fazer parte de seu passado.
Siga em frente para conhecer o vampiro Pedro e se deixe envolver por ele.

“A barba e o bigode aparados com esmero sobre a pele branca davam-lhe um ar solene e maduro. Nos olhos havia um brilho sedutor, carismático. Num gesto corriqueiro, levou a mão forte aos cachos que despencaram, empurrando-os para trás. Havia nele algo de belo e clássico. Transmitia nos modos um modo europeu, mas falava o português com perfeição. Cada palavra era pronunciada no mais límpido soar do idioma.” – Pág. 11.






Pensem em um livro com o qual eu tenho um caso de amor desde O DIA em que a autora anunciou a publicação. Mais, imagine uma ideia que você sabe que tinha tudo para dar certo e deu ESTRONDOSAMENTE. Tanto que eu comecei o livro tem um tempão, mas só acabei hoje porque NÃO QUERIA que terminasse porque sou apaixonada ao infinito por ele e até o momento espero uma continuação. Eu lhes apresento Dom Pedro I Vampiro, da Editora Planeta.

“Uma experiência nova e certamente digna de ser repetida. Mas, dessa vez, Pedro prometeu a si mesmo ser cauteloso e manter aquele encontro em absoluto segredo. Estava cansado de perder o que lhe dava prazer por causa da falácia de muitos. Dormiram a portas trancadas até quase o meio-dia. O conde não fez nenhum comentário e recebeu ambos para o almoço com um sorriso nos lábios. Pedro nem sequer desconfiava que havia se enredado em uma teia perigosa de eventos. Ele apenas ficou e aproveitou a hospitalidade do conde.” – Pág. 61.

A capa tem absolutamente TUDO a ver com a temática do livro. A imagem clássica do histórico personagem combinada com a do vampiro que povoa a nossa mente desde que conhecemos o conceito. Perfeita, ora pois. A diagramação está excelente, como vocês podem ver nas fotos e a revisão está impecável. Um trabalho físico muito lindo da editora.


Claro que isso nada adiantaria se o livro não fosse bom, mas, garanto que esse é dos melhores. Pegue um personagem histórico que ainda hoje desperta fascinação em quem dele ouve falar e crie um modo muito original de transformar alguém em vampiro dentro de um universo igualmente único. Temos o primeiro passo para um excelente livro. Todavia, é óbvio que sem um bom desenvolvimento isso também não vale de nada. No caso de Dom Pedro I Vampiro, porém, a história é desenvolvida de um modo tão envolvente que é impossível você largar antes do fim. Eu fiz isso porque, como disse, não queria terminar porque estava amando-o demais para simplesmente acabar tão rápido. Nisso se foram pelo menos dezoito meses. -risos-



“Eva a essa altura já estava de pé e diante de Pedro. Os dois se encaravam sem recuar o olhar, e Solange notou que Eva não tinha medo de Pedro, tampouco de enfrentá-lo. Isso era muito bom. Surpreendido por sua atitude, aceitou levá-la consigo. Ou, melhor, deixou que ela o seguisse. Sendo ele Imperador do Brasil ou não.” – Pág. 110.

Misture isso a tudo a uma narrativa ágil e intercalada entre duas épocas diferentes. Sim, a história toda se passa tanto em 2015 quanto entre 1821 e 1822 e isso dá um belo diferencial, ainda mais quando o personagem protagonista foi alguém que realmente existiu e ainda, a autora mostra, em cada linha, que fez uma impecável pesquisa histórica antes de executar o livro. Pois é impossível não imaginar aquela atmosfera do século dezenove, ainda mais no Brasil recém-chegado à Independência e se formando como Império. Ainda, soltamos umas risadinhas muito discretas com algumas pequenas críticas feitas pela autora em relação ao nosso modo de pensar e agir nas situações.


“– Bem, ela é bonita e você... Você pelo que a história conta nunca dispensou um rabo de saia. Entrou para a história por vários motivos, nem todos bons. Teve o grito do Ipiranga, a sua dor de barriga, e a fama de mulherengo.
– Volto a dizer, não acredite em tudo o que lê. Nesse país existe uma força invisível que tenta denegrir a imagem dos que se destacam. Nunca se perguntou porque o povo se sente tão inferiorizado e não sabe votar? Ou por que temos de ter um jeitinho brasileiro? Ou sermos tropicais?
– Bem...
– Bem, má garota – disse, cortando-a – Tenho orgulho do país que ajudei a criar. Mas me envergonho do modo que cada candidato eleito pelo povo o trata. Vocês merecem mais que isso. Lutar e morrer ainda vale – afirmou sem usar de demagogia.” – Pág. 163. (MELHOR diálogo do livro EVER.)

Isso sem contar os desdobramentos da vida vampírica de Pedro, que durante a história, revela fatos importantes de si mesmo enquanto busca de livrar de seu grande inimigo Durval. Além, é claro, de descobrimos o mistério por trás da jornalista Eva, que sem querer acaba envolvida na teia sobrenatural do vampiro Pedro e seus inimigos e acaba descobrindo, de um jeito bem pouco pacífico, que há muito mais a conhecer de si mesma do que ela inicialmente pensou. Naturalmente, esse não é um processo fácil e muito menos simples. Dá até vontade de chorar quando ficamos sabendo toda a verdade. Além, lógico de ficarmos com aquele ódio mortal do trio principal de vilões.


“Domitila de Castro Canto e Melo apareceu com um sorriso tímido nos lábios, os olhos presos no rosto de Pedro. Trajava um vestido verde pálido que só realçava o olhar. O fio de pérolas era muito delicado e dispensável no realce do colo alvo e gracioso da jovem à sua frente. A cintura estava marcada pelo espartilho, mas ela parecia bastante à vontade com a peça, algo que Leopoldina repudiava. Comparações? Sim, ele fazia. Um hábito ruim.” – Pág. 211

Que não deixam nada a desejar em comparação com alguns dos piores da literatura atual. Durval, Lucille e Celine dão um enorme trabalho ao protagonista e não pensam duas vezes em machucar, até mesmo matar, qualquer um para conseguirem o que querem. Alguns motivos são compreensíveis, embora não justificáveis, no caso da Lucille, cuja backstory é comovente embora eu odeie mortalmente a personagem mesmo assim. Tudo bem que a Celine tem uma ligação especialmente séria com o Durval, mas o que ela faz com a Eva em uma determinada altura do livro é de fazer desejar que o Pedro corte a garganta dela até a cabeça se separar do corpo. Foi o que eu pensei mesmo depois de ter terminado o livro e eu espero que aconteça quando sair a continuação.
Nazarethe, nos faça esse favor: escreva um segundo livro do Dom Pedro I Vampiro.


“O poder corrompe a todos que seduz. Não foi diferente com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. A certa altura, ela estava tão embriagada que não conseguia ver onde terminava ela e começava Leopoldina. Estava enlevada, cega pelo poder a ela concedido. Pedro cumpriu sua palavra e deu o melhor a ela do mundo que conhecia. Roupas, joias, mimos, escravos, carruagens, mimos, títulos. Era a mulher mais poderosa do reino. Conseguia favores, presentes, amigos e inimigos na mesma proporção. Estava no centro de todas as conversas, era a imperatriz, enquanto sua cópia apagada e pouco nítida escondia-se no palácio e recebia ministros com roupas velhas e ar desmazelado.
Dizem os mais experientes que quando estamos próximos ao desenlace de nossa existência temos momento de clara percepção do que somos e o que fizemos. Acredito que Leopoldina sentiu esse transe sinistro se aproximar.” – Pág. 271

Para encerrar, eu peço desculpas pelo texto mais curto que o habitual, mas temia dar spoilers e também, lhes faço um favor: recomendo que adquiram o livro e o leiam. Porque é um excelente exemplar da nossa literatura de vampiros atual, além de ter uma bela aula de História sobre a Independência do Brasil. Porque ler é cultura e aprender nunca é demais.

12 comentários:

  1. Olá Renata ;
    Que bom que além de tudo o livro conta com fundo histórico, pelo visto a autora sobe dosar os itens para ter um livro com um personagem histórico , sem se tornar maçante e envolver o leitor. Eu não conhecia o livro, mas fiquei impressionada com a resenha que descreve a obra de forma tão positiva, ora pois, se tiver a oportunidade quero ler rsrs.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/2017/09/eu-li-fake_8.html

    ResponderExcluir
  2. Oi tudo bem?
    Gostei bastante da ideia diferente da autora de fazer um livro com fatos históricos mas com uma pegada de vampiros haha. Gostei também da sua empolgação durante a resenha.

    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Olá, acho que foi ontem mesmo que vi a capa desse livro num grupo do qual participo, e fiquei curiosíssima pra saber mais sobre ele, foi ótimo ver sua resenha. Achei super interessante essa premissa de termos Dom Pedro I como vampiro. Fico contente por ver que você gostou do livro, vou tentar adquiri-lo o mais rápido possível.

    ResponderExcluir
  4. OI Renata,
    Nunca tinha visto o livro e achei a proposta muito bacana, principalmente pra quem deseja aprender um pouco de história, misturando com uma fantasia de boa qualidade. Fiquei bem curiosa para saber como a história termina!
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

    ResponderExcluir
  5. Menina, eu sou doida nesse livro desde o primeiro dia que ouvi falar nele, e nem sabia ao certo do que se tratava, só o título foi o suficiente pra me atrair. Conheço a autora, mas nunca li nada dela. Se eu já queria, ler as suas impressões só me deu mais vontade ainda de conhecer a história.

    ;D
    Nelmaliana Oliveira

    ResponderExcluir
  6. olá!Tudo bem?
    Eu via esse livro e ficava pensando "será que é bom?" mas nunca pesqueisei ou procurei sinopse.Adoro livro que envolve histórias e com Dom Pedro I um vampiro parece excelente.
    E pelo jeito você realmente amou esse livro,gostei de saber que vale a pena.
    bjs

    ResponderExcluir
  7. Olá! Eu realmente nunca tinha ouvido falar desse livro, mas a sua empolgação realmente me deixou curiosa sobre. Adorei o enredo do livro é o cenário que ele mostra. Definitivamente irei pesquisar mais sobre! Adorei o seu post ❤️

    Um beijo

    ResponderExcluir
  8. Olá...
    Ainda não conhecia a obra em questão, mas, adorei seus comentários sobre a obra! Achei a premissa muito legal e pelos seus comentários a obra possui vários elementos que me atraem em uma leitura... Espero poder ler em breve <3
    Valeu pela dica!
    Bjo

    ResponderExcluir
  9. Oi!
    Que legal ver esse livro por aqui!
    Minha prima pegou esse livro na biblioteca da escola e amou, minha vó leu também e deu altas gargalhadas com a história.
    Realmente era algo muito improvavel de dar certo e ficou muito bom.
    Um dia ainda lerei ele também

    ResponderExcluir
  10. Oie, tudo bom?
    Gente, que aleatório! Quem será que pensaria numa coisa dessas? Hahahah
    Adorei, parece ser bem fantasioso, e eu amo livros assim.
    Parabéns pela resenha!

    ResponderExcluir
  11. Oi, renata. gostei da premissa desse livro, e é muito diferente de tudo que já vi por aí, a autora foi extremamente original. Gostei de saber que é envolvente, mas admirei sua força de vontade em degustá-lo devagar, quuando eu gosto de um livro, leio correndo e depois fico querendo mais... Fiquei bem intrigada em ter uma continuação falando do dom pedro II.

    ResponderExcluir
  12. Olá colega :).
    Adoro livros que misturam ficção com referências históricas e adoro tudo que aborda o sobrenatural, vampiros em especial.
    Quando você publicou a resenha eu já fiquei louca para ler, já que eu ainda não conhecia o livro.
    Adorei também o fato de o livro intercalar entre eventos ocorridos no passado e no presente, isso exige certo nível de genialidade para que a história não fique confusa.
    Adorei a resenha e pretendo ler esse livro.
    Beijos.

    ResponderExcluir