20 setembro 2017

[Resenha] O garoto que eu abandonei - Por Raiza Varella



Título: O garoto que eu abandonei
[Encantados #3]
Autor (a): Raiza Varella
Páginas: 450
Editora: Independente
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Sinopse: O que você perdoaria por amor?
Em O Garoto que eu Abandonei vamos conhecer a história do último encantado dos irmãos Bittencourt. Gustavo mantinha uma namorada secreta a meses com medo da reação de sua família e principalmente de Bárbara, sua irmã caçula, afinal ele sabia que ela não aceitaria facilmente esse relacionamento por ter um passado com a mulher que ele acredita amar. Quando o segredo vem à tona ele decide se casar com a moça doa a que doer, lançando ao vento um desafio tentador a Bárbara: Afundar o casamento a qualquer custo, mesmo para que para isso ela precisasse colocar o seu felizes para sempre com um certo garoto dos olhos azuis em risco! A solução? Recorrer a uma misteriosa mulher do passado do irmão. Ela não sabe nada sobre a moça misteriosa, a não ser que ela partiu o coração de Gustavo em um milhão de pedacinhos depois o abandonou. Se ele a amou ao ponto de escondê-la de todos será que ficaria balançado se a visse novamente? Bárbara acredita que vale a pena tentar, afinal a ruiva com os olhos cinzentos e infelizes parece ser sua última e única opção. O que ela não imaginava é que a história dos dois é mais profunda do que se deixa transparecer.
Marcela é morta por dentro. Uma detetive particular de humor ácido que não tem papas na língua, pesa mais do que gostaria, e guarda dentro do peito uma dor feroz e uma saudade absurda após perder toda a família em um acidente de carro, também é a Branca de Neve de um certo príncipe encantado. Será que ela será a arma certa para impedir o noivo de chegar ao altar?
Em meio a encontros e desencontros, um passado secreto, muitas mentiras e uma maçã envenenada poderá existir um final feliz?

Resenhas anteriores: 
Encantados #01 - O garoto dos olhos azuis
Encantados #02 - O garoto que tinha asas



Chegou sua vez, Gustavo. Esta é a história do arquiteto mais fofo da literatura, do irmão do meio desta família de encantados. Diferentemente de seu irmão mais velho, Augusto, ou devo dizer do que ele já fora um dia, Gustavo tem fé no amor verdadeiro e muita disposição para vivê-lo. Porém, mais diferentemente ainda de sua caçula, Bárbara, ele acredita que este amor chegou a si em um corpo escultural, um rostinho bonito e um coração... opa, será que ela tem mesmo um coração? Camila, além de arrogante e vários outros adjetivos não muito positivos que vocês conhecerão, é a inimiga mais antiga de sua irmã. Gustavo, no entanto, acredita fielmente que passado é passado, né? As pessoas mudam. E é com este pensamento que, contrariando as opiniões de toda sua família, ele e esta suposta (talvez não tão suposta assim) megera ficam noivos.

"Queria ser o príncipe que montaria em um cavalo branco por alguém e, finalmente, depois de tanto tempo, eu havia encontrado a garota certa, a garota que merecia esse gesto. Uma garota que não me daria as costas e sairia da minha vida como se eu fosse nada, ou ninguém. Já tive uma dessas antes."

Pois é, este é um fato que não se pode ignorar. Talvez esta fixação de Gustavo por casar-se com a garota certa (mesmo ela aparentando ser a mais errada possível) tenha algo a ver com, num passado que todos julgavam enterrado, ele ter sido deixado por aquela que tudo e todos indicavam ser a mulher de sua vida. Seu nome? Marcela. Na época ela era apenas uma garotinha assustada que, por insegurança ou algo mais, teve de partir. Ele, um jovem que não soube demonstrar que ela deveria ficar. Hoje, Marcela é uma mulher. É alguém cheia de cicatrizes ainda abertas, alguém com quem a vida não fora muito piedosa. Desde o trágico acidente que levou sua família e sua vontade de viver, além da revelação que mudou para sempre seu modo de confiar nas pessoas, o único objetivo de Marcela é sobreviver aos dias. Seu quotidiano gira em torno de seu trabalho como detetive particular, uma saudade de si mesma e uma dor que lhe parece eterna. Sobretudo, Marcela é uma mulher tentando fugir de seus próprios segredos.

"Minha vida é recheada de perdas, foram tantas que eu mesma me perdi pelo caminho. A saudade que eu tenho de mim mesma, da mulher forte, da mulher bem-sucedida, da mulher bem resolvida e amada, não é nada comparada à falta que eu tenho delas, das minhas perdas."

Talvez este casal há muito tempo separado e que agora não parece ter qualquer coisa em comum não se encontrasse de novo. Mas como toda boa história de amor, de um jeito ou de outro, tem sempre um cupido por trás... olá, Bárbara, é você mesma! Imaginem qual não foi a empolgação desta espevitada' loirinha ao descobrir que, além de uma competente detetive que poderia (assim ela esperava) encontrar fatos que provassem a pessoa nada legal que era sua futura cunhada e fizessem, quem sabe, Gustavo desistir daquele casamento, Marcela era também um grande amor antigo de seu irmão. Determinada e com a ajuda de sua outra e mais nova cunhada, Ana, ela abrirá as portas para um caminho que, na pior das hipóteses, terminará com uma resposta negativa a respeito dos possíveis erros de Camila, e na melhor delas, acabará no casamento de Gustavo... com uma noiva completamente diferente. O que ela não sabe, entretanto, é que talvez esta reaproximação venha recheada de novas dores com as quais eles terão de aprender a lidar e segredos que eles jamais imaginaram deixar vir a tona... e que mudarão a vida de ambos por inteiro.


O garoto que eu abandonei é narrado em primeira pessoa, sempre alternando entre as visões de Marcela e Gustavo e, algumas vezes, com narrações de personagens aleatórios, como Bárbara, por exemplo.


Chegamos ao último livrinho desta trilogia que eu adorei resenhar e, mais ainda, realizar a leitura. Confesso que, de início, eu tive um certo receio ou medo de não gostar (não tanto quanto gostei dos outros) de o garoto que eu abandonei. Isto se deu pelo fato de que ao longo das histórias anteriores, Gustavo não era exatamente um mocinho que me chamava muita atenção, me parecia um tanto sem sal, de modo que julguei que a história dele fosse me passar a mesma impressão. Não aconteceu.

Gustavo é doce, dono de uma certa ingenuidade (às vezes dá vontade de balançar ele e dizer "se toca, amigo") e extremamente fofo. Faz bem o estilo príncipe encantado, mesmo. Ele não se tornou uma das minhas grandes paixões literárias, mas me despertou um enorme carinho e provavelmente será a paixão de muitas por aí. Marcela, por outro lado, é a personagem que eu gostaria de destacar como minha favorita de todo o livro. Carrega um bom humor muito contagiante, apesar da tristeza e angústia que estão sempre visíveis. Tem um coração gigante e uma força proporcional. Dá vontade de ser amiga dela, desde as primeiras páginas. O enredo vem, assim como os livros que antecedem o mesmo, recheado de dramas, romance e um sentimento maravilhoso de união e amor entre esta família e estes amigos que eu aprendi a amar. Também traz surpresas e fortes emoções que mexem direitinho com a cabeça do leitor (mexeu com a minha). Ele me fez refletir, por exemplo, a respeito de como as coisas são e como sempre acontecem quando tem de acontecer, ainda que o tempo passe e que milhões de mudanças ocorram durante ele. Não encontrei pontos negativos a serem citados.

O garoto que eu abandonei veio para fechar com chave de ouro e deixar um sabor infinito de quero mais desta história e destes personagens que nos encantam e deixam nosso coração quentinho.

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