25 setembro 2017

[Resenha] As coisas que fazemos por amor - Por Kristin Hannah



Título: As coisas que fazemos por amor
Autor (a): Kristin Hannah
Páginas: 352
Editora: Arqueiro
Skoob || Goodreads
Compre: Amazon || Saraiva

Sinopse: “Kristin Hannah captura a felicidade e o sofrimento de uma família e prova mais uma vez por que é a estrela dos romances.” – Booklist
“Este livro maravilhoso é um exemplo clássico das histórias tocantes e provocativas que são a especialidade de Kristin Hannah. A ternura e as complexidades dos personagens mexem com o nosso coração.” – Romantic Times
Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados.
Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre.
Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor.
Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família.



"Angie sorriu. Passara tantos momentos naquela cozinha, com aquelas três mulheres... Não importava quantos anos vivesse ou que direções a vida tomasse, aquele sempre seria o seu lar: a cozinha de Mama, onde se sentia segura, acolhida e amada. Embora ela e as irmãs tivessem optado por vidas diferentes e tendessem a se intrometer muito nas escolhas das outras, eram como fios de uma mesma corda. Juntas, eram fortes. Angie precisava voltar a ser parte disso; andava se lamentando sozinha havia tempo demais."

Aos trinta e oito anos, Angie Malone tinha diversos motivos para ser feliz: era proveniente de uma família italiana acolhedora e ruidosa, tinha um marido que a amava e a quem ela também amava muito, um emprego bem sucedido e os bens materiais que desejava. Porém, seu maior sonho, aquele para o qual ela vivia não era relacionado ao que já tinha, e sim, era ter um filho. Angie sonhava em ser mãe desde muito nova, e, após muitas tentativas de engravidar, e com seu casamento ruindo, ela percebe que finalmente é a hora de desistir. Sofrendo com as perdas recentes em sua vida, e com a concretização de seu divórcio, Angie resolve abandonar a ruidosa Seattle e voltar para a sua cidade natal, West end. Sua decisão se torna ainda mais acertada quando a mãe lhe comunica que após ter ficado viúva, o restaurante da família já não tem mais dado o lucro adequado, e que talvez a única solução seja vendê-lo. Inconformada, Angie logo se joga de cabeça no projeto de reerguer a posse familiar, visto que ele era o maior orgulho do seu falecido pai. Além disso, Angie espera que o novo projeto a faça esquecer os dias de dor e sofrimento em torno de crianças que nunca vingaram e em torno de todos os sonhos partidos.

"Eles tinham ido juntos a todos os bailes do ensino médio. O próximo seria o último para os dois. Ao pensar nisso, o sorriso dela esmaeceu. De repente começou a pensar no ano seguinte, na possibilidade de eles se separarem. Olhou para David; tinha que convencê-lo de que precisavam continuar juntos na faculdade. Ele acreditava que o amor entre os dois sobreviveria a uma separação. Lauren não queria correr esse risco. David era a única pessoa que já dissera que a amava. Lauren não queria viver sem isso. Sem ele."

Já Lauren Ribido é o oposto de Angie. É uma garota de dezessete anos que não possui nenhum motivo para ser feliz, embora ela faça o melhor que pode com aquilo que tem. Filha de uma mãe alcoólatra, ela é fruto de uma relação que sua mãe teve na escola, e ouve diariamente o quanto atrapalhou a vida da mulher que lhe deu a luz. Se não bastasse isso, Lauren também precisa trabalhar o máximo que consegue para pagar o aluguel e colocar comida dentro de casa, além de dar duro para tirar as melhores notas para manter a bolsa integral que possui em uma boa escola particular e para no futuro passar em uma faculdade. Seu conforto? David, seu namorado, um rapaz rico que a ama intensamente e com quem a garota sonha construir um futuro. Mas, ainda assim, seu maior sonho era que sua mãe lhe amasse, que lhe desse carinho e que lhe impusesse um horário para chegar em casa, demonstrando se importar com o que ela faz.

"– Uma menina linda e inteligente entrou na minha vida e me lembrou que existe alegria no mundo. Comecei a recordar as coisas boas. Percebi que meu pai tinha razão quando dizia: Isso também vai passar. A vida dá um jeito de seguir em frente, e a gente faz o melhor que pode para acompanhar o fluxo. O coração partido se cura. Como qualquer ferimento, fica uma cicatriz, uma lembrança, porém esmaecida. De repente você percebe que passou uma hora sem pensar a respeito, depois um dia. Não sei se isso responde à sua pergunta...
Lauren olhava para as labaredas.
– Então o que está me dizendo é a velha resposta de que “o tempo cura todas as feridas”, não é?"

Quando Angie E Lauren se encontram, ambas desejam ajudar-se em suas dificuldades mútuas, e por um acaso do destino, parece que uma tem o que a outra precisa: Angie somente gostaria de um dia poder chamar alguém de filho... E Lauren, só gostaria de ter alguém sóbrio para chamar de mãe. Porém, logo ambas perceberão que apesar da conexão especial que as une, ainda há muito o que aprender e muitas dificuldades para enfrentar, e que o verdadeiro significado de família é o fato de as pessoas se unirem, mesmo quando tudo parece difícil e impossível e que há muitas coisas que só fazemos por amor.

"Algumas coisas na vida, porém, não se podiam procurar. Só se podia esperar por elas. Como o clima. Às vezes você olha para o horizonte e vê um bando de nuvens de tempestade. Mas isso não garante que vá chover no dia seguinte. O dia pode também ser claro e ensolarado."





Há alguns livros que se tornam especiais no momento em que mergulhamos neles, e, As coisas que fazemos por amor foi um desses exemplos. Eu, como uma fã inveterada de Kristin Hannah, assim que vi essa sinopse senti que precisava lê-lo, principalmente por trabalhar temas que amo tanto, a família e a maternidade. Porém, nada me preparou para a torrente de emoções que eu sentiria com essa obra, e só posso dizer que ao final, o sentimento mais predominante para mim foi de acolhimento, pois me senti acolhida pela família maravilhosa de Angie, pelo amor que as protagonistas tinham a dar e por toda aquela cidadezinha meio mágica.

Esse livro me fez derramar diversas lágrimas, mas não, não foram lágrimas por ser um livro triste. Na verdade, eu diria que ele é extremamente tocante, e a cada momento, eu me comovia com os dramas das personagens e principalmente com a força que elas demonstravam, e isso me emocionava de uma maneira bastante intensa, e também, me comovi com o amor que fluía entre as pessoas, pois aqui, a cada palavra lida, sentimos o amor brotar das páginas, e ele é tão palpável que também nos deixa com esse sentimento reconfortante.

Cada parte dessa obra contribuiu para formar um conjunto perfeito, mas uma das coisas que mais me deixou encantada foi a família de Angie, que está presente em todos os momentos de sua vida. É aquela típica família barulhenta, maluca, que dá um monte de opiniões que nem queremos ouvir, mas sabemos que isso significa que as pessoas se importam e querem o nosso melhor. Aliado a isso, essa família possui o restaurante, e a interação das irmãs nesse ambiente com comida italiana e todo acolhedor nos faz sentir vontade de estar lá. Também, achei muito positivo o modo como a autora nos conduz a conhecer os "diversos lados da moeda", nos fazendo observar os temas abordados por muitas perspectivas, uma vez que conseguimos ver as várias faces da maternidade, assim como na questão dos romances que encontramos aqui, pois podemos perceber que alguns possuem segundas chances, enquanto outros se tornam boas lembranças e ainda, há aqueles que estão fadados ao fracasso. A ambientação também é um fator bastante relevante, uma vez que tem cenários ótimos como a praia, o restaurante e a própria cidade onde tudo se desenrola, que traz uma aura acolhedora, e o clima chuvoso tornou tudo ainda mais envolvente para mim.

Outro fator de grande destaque são as protagonistas, em suas personalidades individuais e também em sua interação. Admito que eu não consigo eleger alguma delas como a minha favorita, e cada uma me cativou de diferentes formas, e consegui entender com perfeição seus receios, desejos e sonhos. Com elas, podemos ver os diferentes temas abordados nessa história, como a maternidade, o amor, os sacrifícios, os conceitos de família, a perda, o luto, o egoísmo, dentre outras coisas relevantes e que nos levam a refletir e nos identificar com aquilo que está sendo apresentado. Ainda, cabe destacar que ao final do livro, encontramos uma entrevista com a autora, o que amo nos livros, onde ela nos esclarece algumas coisas sobre a construção dos personagens, suas pesquisas e escolha de tema.

Eu não consigo encontrar algum ponto que eu consiga considerar minimamente negativo. Mas, olhando além da minha perspectiva, percebo que algumas pessoas que não gostam dos temas densos que são apresentados aqui, podem não se envolver com o livro. Também, sei que o final pode ser um pouco contraditório e que alguns podem não gostar, enquanto outros irão amar. E ainda, algo que eu senti falta aqui foi um epílogo (na verdade, sinto falta dele na maioria das histórias), e  a presença dele tornaria o livro ainda mais completo para mim, e admito que eu me sentiria feliz se aparecesse alguma continuação dessa obra.

Quanto aos personagens presentes nesse enredo, como mencionei, todos me cativaram de alguma maneira. Angie, com sua fragilidade, com seus sonhos despedaçados e com tanto amor para dar foi uma personagem por quem me encantei nas primeiras linhas, assim como também fiquei fascinada por Lauren, com sua carência de amor, sua determinação em trabalhar tão duro e seus sonhos ao mesmo tempo tão simples e tão importantes, e também com sua capacidade de se adaptar as situações adversas que a vida lhe proporcionava, e a achei um dos maiores exemplos de resiliência. Ainda, adorei a mãe de Angie, uma mulher que sente falta do falecido marido, e que apesar de parecer demonstrar uma inflexibilidade em alguns momentos, está de braços abertos para acolher as pessoas no momento em que elas precisarem. Outro que merece intenso destaque é Conlan, o ex-marido de Angie, que é um homem que sofreu tanto quanto a esposa pelas perdas que tiveram, mas anulou sua dor, na tentativa de  tentar curar a dela.

Encontramos aqui uma narrativa toda feita em terceira pessoa, o que é maravilhoso pois nos permite ver as diversas perspectivas. A divisão foi feita em 32 capítulos de um tamanho razoável, que nos proporcionam uma leitura fácil e rápida. Além disso, durante a minha leitura, feita em ebook (cedido pela editora Arqueiro), não encontrei erros a serem destacados.

As coisas que fazemos por amor está sendo adaptado para o cinema, ao mesmo tempo que outras duas obras da autora. Abigail Breslin intérprete de Pequena Miss Sunshine é a atriz cotada para interpretar a adolescente Lauren.

Tenho vontade de espalhar esse livro pelo mundo para todas as pessoas lerem e conhecerem essa história emocionante sobre o amor de mães e filhas e o quanto a família é importante em nossa vida. Certamente, As coisas que fazemos por amor se tornou a minha melhor leitura do ano, e não é preciso uma recomendação maior do que essa, não é?




11 comentários:

  1. Oi, tudo bem?
    Que resenha mais maravilhosa *--* Encheu meus olhos ao ler uma resenha tão bem feita e com tanta dedicação, ultimamente ando batendo bastante na tecla que falta resenhas como a sua no nosso mundo da blogosfera. Não conheço nada da autora, na verdade nem a conhecia até ler essa resenha, mas me encantei profundamente por esse livro.
    Irei providencia-lo o mais rápido possível para ler e quem sabe resenhar também.

    Beijos!!
    Cantinho da Lua

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  2. OMG! Sou tão fã de Kristin Hannah que já sei que vou amar esse livro.
    Morri de saber que vai virar filme. Com certeza será maravilhoso, assim como todas as histórias dessa rainha.
    Gostei muito das suas impressões e saber que essa foi uma grande leitura para você me deixou ainda mais curiosa!
    Adorei a resenha e espero ler em breve!
    Beijinhos
    Rizia Castro - Livroterapias

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  3. Olá, tudo bem?

    Não conhecia a autora, nunca tinha ouvido falar dela, acredita? Gostei demais da sua resenha, ela me deixou completamente sem fôlego, mesmo não sendo meu tipo de leitura.

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  4. Olá, tudo bem?
    Eu tenho em casa Jardim de Inverno e A Caminho de Casa (ou algo assim) mas nunca li e morro de vontade de ler algo da autora. Eu também solicitei esse livro e então vai ser o meu primeiro contato com ela e estou super empolgada e com muitas expectativas, agora ainda mais depois de ler sua resenha. Fico feliz que tenha gostado tanto assim da obra, só serviu para me deixar ainda mais curiosa.
    Adorei a resenha!

    Beijinhos!

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  5. Oiii tudo bem??

    Não havia me interessado pelo livro, pela sinopse, nem pela capa, apesar e saber que os livros dessa autora são maravilhosos, eu nunca os li. Apesar de ter grande interesse.
    Ao ler sua resenha e ver esse carinho que a história nos passa me deu vontade, mais uma vez de ler o livro desta autora. Este no caso, acabou de entrar pra lista de desejados.
    Adorei a resenha.
    Bjus Rafa

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  6. Heiii, tudo bem?
    Que livro incrivel, confesso que nem sabia do que se tratava ate ler a resenha.
    Pela capa achei q era um livro de auto ajuda, nao sei pq tive essa impressao.
    Gostei mto da história e fiquei feliz de saber que teremos filme tb.
    Beijos.

    Livros e SushiFacebookInstagramTwitter

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  7. Tenho uma curiosidade imensa de conhecer o trabalho da autora e até tenho livros dela na estante para ler. Quando vi esse lançamento, me bateu aquela parada de 'puts! Mais um livro e eu aqui dando mole.' . Acho tão bom qnd lemos um livro e ele provoca tantas coisas na gente. Fico feliz que vc goste tanto do trabalho da autora e tenha nutrido esse carinho por essa obra. Espero poder experimentar essas sensações com o trabalho dela um dia bom.

    Raíssa Nantes

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  8. Oi!
    Eu não dei muita bola pra esse livro por conta da capa, nem cheguei a ler a sinopse, então a sua resenha foi realmente uma grande surpresa que me deixou encantada por essa história que parece ser extremamente tocante e bonita. Fiquei ansiosa pra ler, ainda mais pela adaptação que sairá em breve.
    Beijos!

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  9. Oi, tudo bem?
    Eu confesso que não conhecia a autora e, se não tivesse lido sua resenha, provavelmente não olharia duas vezes para este livro. Mas adorei o enredo, pois amo tramas que falam sobre família. Além disso, pela sua descrição já deu para perceber que as duas protagonistas são muito cativantes e que é bonito acompanhar a jornada delas.
    Adorei sua resenha e fiquei muito curiosa para ler este livro. Dica anotada!
    Beijos!

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  10. Oi, Tamara! Que resenha linda, você conseguiu traçar cada pedaço do livro que me fez querer lê-lo nesse instante! rsrs (*providenciando isso rs*)
    Adorei, a história tem tudo para conquistar!
    Bjos!
    Por essas páginas

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  11. Oie, tudo bom?
    Eu amo livros assim, que tratam de assuntos tão puros e bonitos como a maternidade e o amor de uma família. Espero poder ler em breve, pois a capa é linda e toda a sinopse me chamou muito a atenção. Adorei a resenha!

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