16 agosto 2017

[Resenha] A química que há entre nós - por Krystal Sutherland



Título: A química que há entre nós
Autor (a): Krystal Sutherland
Páginas: 272
Editora: Globo Alt
Skoob || Compre || Encontre

Sinopse: Grace Town é esquisita. E não é apenas por suas roupas masculinas, seu desleixo e a bengala que usa para andar. Ela também age de modo estranho: não quer se enturmar com ninguém e faz perguntas nada comuns.
Mas, por algum motivo inexplicável, Henry Page gosta muito dela. E cada vez mais ele quer estar por perto e viver esse sentimento que não sabe definir. Só que quanto mais próximos eles ficam, mais os segredos de Grace parecem obscuros.
Mesmo que pareça um romance fadado ao fracasso, Henry insiste em mergulhar nesse universo misterioso, do qual nunca poderia sair o mesmo. Com o tempo, fica claro para ele que o amor é uma grande confusão, mas uma confusão que ele quer desesperadamente viver.

"Sempre pensei que o momento em que você conhece o grande amor da sua vida fosse mais parecido com os filmes. Não idêntico a momentos cinematográficos, é óbvio, com câmera lenta, cabelo esvoaçando na brisa e uma trilha sonora instrumental bombástica. Mas eu imaginava que ao menos haveria algo, sabe? O coração saindo pela boca. Um puxão na alma onde algo de dentro diz: “Puta merda. Lá está ela. Até que enfim, depois de todo esse tempo, lá está ela”.
Não houve nada disso quando Grace Town entrou dez minutos atrasada na aula de teatro da sra. Beady, na tarde da segunda terça-feira do último ano."

Henry Isaac Page é o que podemos chamar de um adolescente comum. Ou não, né? Pois convenhamos que um garoto de 17 anos cuja vida é totalmente livre de escândalos não é, hoje em dia, algo frequente de se ver. Mas é o caso de Henry. Um típico mocinho estudioso que vive em um relacionamento sério com sua grande paixão, a escrita, seu passatempo favorito é qualquer coisa desde que seja feita com seus melhores amigos de sempre, Murray Finch e Lola Leung. Até agora ele estivera longe de qualquer envolvimento verdadeiro com uma garota e, principalmente, de saber o que significava estar apaixonado, sofrer por amor e tantas outras coisas das quais ele tanto ouvira falar, mas jamais sentira. E é assim, em um dia qualquer e durante um instante que nada tem de especial, que tudo o que Henry sabe sobre sentimentos está prestes a mudar e sua vida, antes tão tranquila, está próxima à tomar um novo rumo.

"— Eu sabia, caramba! Ela vai a uma necrópole todas as tardes? Estamos lidando com algum tipo de ficção de gênero aqui, com certeza. Alguém quer fazer apostas? O que achamos? Ela é uma vampira? Um fantasma? Um desses zumbis new age que conseguem amar?
— Vou apostar dez dólares em anjo caído — Sadie disse. — Estão tão na moda agora.
— Vou sair um pouco da norma aqui. Quanto paga uma sereia, Muz? — Lola disse.
— Sereias não vivem em cemitérios, seu maldito drongo.
— Tá bem. Sereia demônio do inferno que assombra pântanos de cemitérios que inundam sempre que chove. Quais são as chances?"

Grace Town é um mistério com todo o seu desleixo com a aparência, seu cabelo sempre desgrenhado e suas roupas masculinas. Há também, claro, o fato de ser uma garota calada, normalmente alheia ao mundo e dona de um semblante... triste? Não, algo mais. Vazio. Como se não estivesse realmente ali. Era, portanto, uma garota difícil de não ser notada. Porém, o que chama a atenção de Henry e faz com que o caminho desses dois adolescentes tão opostos se cruzem é o trabalho em conjunto de editores chefes do jornal do colégio que lhes é oferecido, devido ao talento abundante que ambos apresentam e que, sem qualquer explicação, Grace Town recusa veementemente. Indignado com a relutância de alguém em realizar uma atividade pela qual ele mesmo tanto batalhara, além de intrigado com as estranhezas visíveis desta garota, Henry, como se guiado por uma perseverança que ele mesmo desconhecia possuir, embarca sem querer em uma aproximação que pode ser tão bonita quanto dolorosa. Tão necessária quanto destrutiva.

"O amor não precisa durar uma vida inteira pra ser real. Você não pode medir a qualidade de um amor pela quantidade de tempo que dura. Tudo morre, amor inclusive. Às vezes morre com uma pessoa, às vezes morre sozinho. A maior história de amor contada na história não precisa ser sobre duas pessoas que passaram a vida inteira juntas. Pode ser sobre um amor que durou duas semanas ou dois meses ou dois anos, mas queimou com mais brilho e mais calor e mais vigor do que qualquer outro amor antes ou depois. Não fique de luto por um amor que não deu certo; não existe isso. Todo amor é igual no cérebro."

Este livro é narrado em primeira pessoa, sempre a partir da visão de nosso protagonista, Henry, e dividido em 27 capítulos.



A química que há entre nós é uma história de segredos, inocência, primeiro amor e perdas irreparáveis. Ela nos levará a refletir muito a respeito de diversas situações pelas quais muito provavelmente já passamos ou, sem dúvidas, ainda passaremos. Fará com que nos identifiquemos com personagens que acreditam naquilo que querem acreditar e que ultrapassam seus próprios limites em razão de um sentimento que, no momento, lhes parece infinito e capaz de tudo. Ou, quem sabe, com personagens que são versões quebradas de si mesmos buscando uma reconstrução, tentando colar seus pedaços em quanto estes permanecem perdidos por aí, cometendo erros e machucando pessoas no processo. Talvez se identifiquem com ambos, eu me identifiquei. O fato é que é um livro realista, sim, que vem e descasca todo o ser humano, mostrando-o em todos os seus ângulos possíveis. Desde o amor incondicional que somos capazes de sentir e a força e esperança que este nos traz, até as falhas e egoísmos mais terríveis de nós. É um livro que mostra o que temos de mais bonito e mais cruel, também.

Confesso que, até pouco menos da metade do livro, eu ainda não havia sido completamente arrebatada pela história. Ultimamente eu venho desenvolvendo uma certa dificuldade de me cativar por livros com casais adolescentes, não que não goste deles, apenas estou me tornando mais enjoada para este tipo de enredo. Entretanto, devo dizer que acabei de finalizar a leitura e estou aqui emocionada, pensativa e ainda presa nesta história de amor nada perfeita e tão, tão real. O ponto mais positivo para mim, com certeza, foram as inúmeras reflexões que o livro me causou. Me fez questionar conceitos de "para sempre", até onde podemos ir, até onde podemos deixar que outra pessoa nos leve e tantas outras coisas. Foi uma leitura que me deixou impactada, sim, porém admito que mais por conta dos pensamentos que ela nos induz do que pela história em si.

Preciso destacar, claro, outro ponto que falo sempre nas resenhas e que preso muito, que é a realidade embutida em uma história e que, para mim, não faltou em nenhum momento nesta.

Quanto as personagens: o casal principal não foi um dos meus casais literários favoritos ou algo assim, não houve uma vibração ou torcida de minha parte pela relação deles, como geralmente acontece nas histórias de romance. Ponto este que, creio eu, possa ser algo negativo para muitos, mas não foi para mim. Gostei muito de ambos, cada um com suas personalidades e seus defeitos, seus problemas e angústias. Apenas não os enxerguei como um casal do tipo infinito e tudo bem, nem precisei. A história de Henry e Grace foi marcante mesmo assim, não pelo que eram juntos, mas por todas as partes que formavam um todo de cada um.

Os personagens secundários e amigos de Henry, Murray e Lola, além de sua irmã mais velha, Sadie, ganharam meu enorme carinho. O espírito de amizade e cumplicidade que há entre esse grupo é algo palpável e lindo de se presenciar.

É uma história repleta de desencontros, conflitos internos e pessoas falhas. Ela não trata de certezas e não busca finais felizes, mas sim discorre sobre imperfeições, dores e o quanto podemos entendê-las. É uma trama que discute os pesos da vida de forma leve. Uma leitura que dificilmente vai te permitir sair dela sem qualquer impacto ou reflexão.

9 comentários:

  1. Oi tudo bem?
    Não conhecia o livro mas gosto bastante de livros que trazem adolescentes comuns que estão vivendo suas primeiras vezes acho que torna a história ainda mais real, vou fazer a leitura em breve.

    Beijos

    ResponderExcluir
  2. Quando o livro foi lançado, eu fiquei bem interessada, porque gosto desta pegada de conflitos e personagens im,perfeitos, mas como você mencionou que o casal não te conquistou completamente, fiquei um pouco indecisa se leio ou não. Ainda vou repensar.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Oiii tudo bem??

    Que bom que gostou, mas por ele não ter te cativado até a metade creio que não é um livro pra mim agora.
    Por mais que a outra metade valha a pena, tem que ter uma força de vontade para terminar. E estou meio que abandonando muitos livros ultimamente.
    Mas adoro história que há desencontros e que nada seja certinho, então pretendo ler mais futuramente.
    Adorei a resenha.
    Bjus Rafa

    ResponderExcluir
  4. Oi, Isabela!
    Já tinha ouvido falar da lentidão para a história engrenar, mas depois fica bem bacana. Que bom que você acabou curtindo. Também estou no momento de não curtir os casais novinhos. rsrs... Espero gostar desse!
    Beijão!
    http://www.lagarota.com.br/
    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/

    ResponderExcluir
  5. Oiee Isa ^^
    Eu tenho muita curiosidade de ler esse livro, mas também estou começando a enjoar de certos tipos de histórias...haha' espero gostar dos personagens *-* Fico feliz em saber que o livro te deixou refletindo bastante, e ler sobre isso me fez refletir um pouco aqui. A gente espera tanto um "felizes para sempre" nas histórias, mas quase nem paramos para pensar sobre o que significa isso, né?
    MilkMilks ♥
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  6. Oi, Isa!
    Eu já tinha lido outras resenhas sobre esse livro, todas elas muito positivas. Não sei realmente o que esperar desse livro, porque cada um tem um ponto de vista diferente. Aliás, o seu foi um dos mais diferentes que já vi. De qualquer modo, cada vez mais eu tenho vontade de ler!
    Bjos!
    Por essas páginas

    ResponderExcluir
  7. Oi!

    Estou com esse livro na minha lista de desejados e não vejo a hora de poder realizar a leitura dele, li cada coisa positiva sobre que minha curiosidade esta ficando maior cada resenha Lida!

    Bjss

    ResponderExcluir
  8. Oi, Isabela!
    Tenho que concordar com você, também ando ficando cansada dos casais adolescentes... mas achei bem interessante esse questionamento do "para sempre", é uma boa reflexão né? Acho que história que falam sobre imperfeições e como aprender a lidar com elas são sempre necessárias - esse é mais um que vai pra listinha de próximas leituras haha
    Beijos!

    ResponderExcluir
  9. Oie, isa, bom ver que apesar de seus receios no início, o livro acabou sendo positivo. Eu também não tenho conseguido me adaptar muito com livros do gênero mais adolescente, mas para mim é bem comum. Gostei de saber de todas as reflexões que essa história te causou.

    ResponderExcluir